8 de outubro de 2019

Fertilidade do solo nas culturas

Dentro do calendário agrícola da nossa região, estamos chegando na época fundamental para o sucesso da safra. Após todo planejamento realizado pelos produtores, chegou a hora de semearmos as culturas que fazem a diferença financeira dentro da propriedade, que são o milho e a soja. Entre tantos itens a analisarmos neste momento, a fertilidade do solo deve ser observada muito bem, pois de nada adianta termos a melhor semente, na melhor época e o melhor manejo, se a cultura não tem à sua disposição nutrientes para crescer e produzir todo seu potencial.

De maneira semelhante ao ser humano, as plantas necessitam germinar, desenvolver vegetativamente, atingir a maturidade, florescer e produzir muitos grãos, mas para isso precisa estar sempre bem alimentada, com saúde, livre de doenças e protegida contra as pragas que possam lhe atacar e diminuir sua produção de grãos.

Sabe-se que o básico na adubação é o NPK (nitrogênio, fósforo e potássio), devido às limitações de suprimento desses nutrientes em nossos solos, bem como a alta demanda dos elementos para a produção de grãos. Esses são os nutrientes trabalhados em maior escala e com maior ênfase. Contudo, os macronutrientes secundários (Ca, Mg e S) e os micronutrientes (Zn, Cu, Fe, Mn, Mo, Bo e Cl) devem ser corrigidos para atingirmos altos rendimentos. Como exemplo, para produção de 80 sc/ha de soja, são necessários 480 kg de N (adquiridos através de fização biológica via rhizobium), 144 kg de P, 182 kg de K, 110 kg de Ca, 38 kg de S e 57 kg de Mg, além de outros micronutrientes, sendo esses necessários em menor quantidade, sendo de 14 g de Mo e 2,7 kg de Fe.

Em se tratando de fertilidade, para termos sucesso desejado, há três leis básicas que devemos seguir, conhecidas há muito tempo, mas difícil de se pôr em prática:

1 – Lei do mínimo: “O crescimento e a produção das lavouras são limitados pelo nutriente que se encontra em menor quantidade no solo”. Essa lei foi proposta por Liebig em 1843. Portanto, quando se pensa em adubação, deve-se pensar em equilíbrio entre os nutrientes.  Não adianta gastar fortunas com NPK se as quantidades de magnésio, enxofre ou outros citados anteriormente são baixas no solo.

2- Lei de Mitscherlich ou dos incrementos decrescentes: “Quando se aplicam doses crescentes de um nutriente, o aumento na produção é elevado inicialmente, mas decresce sucessivamente”. O autor observou que elevando progressivamente as doses do nutriente deficiente no solo, a produção aumentava rapidamente no início. Entretanto, esses aumentos tornavam-se cada vez menores. Esse é um erro comum e que, na maioria das vezes, é difícil de ser notado, ou seja, não adianta aplicar fertilizante indefinidamente.

3- Lei do máximo: “O excesso de um nutriente no solo reduz a eficácia de outros e, por conseguinte, pode diminuir o rendimento das colheitas.” A dose de determinado nutriente pode ser tão elevada, que causa toxidez do próprio nutriente ou inibe a ação de outro, reduzindo a produção da cultura. Esse é o caso típico da aplicação de fertilizantes sem o prévio conhecimento da real necessidade.

Como vemos, a adubação faz parte de um sistema complexo e não basta “adubar por adubar”. É necessário conhecermos e definirmos quanto queremos produzir, como nosso solo está e colocar adubação para atingirmos boas colheitas. Fertilidade de solo não se faz em um único ano, mas se constrói durante anos levando em conta a fertilidade natural, manejo de palhada, aspecto químicos, físicos e biológicos do solo.

*Texto escrito pelo engenheiro agrônomo, Ricardo Warken.

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