27 de maio de 2019

A depressão pós-parto é mais comum do que se imagina

A depressão pós-parto é um transtorno que vem atingindo muitas mulheres. Trata-se de uma condição emocional que afeta de forma negativa o pensar, sentir e agir das mulheres e muitas vezes podem ocorrer antes mesmo do bebê nascer.

Assim como nos quadros depressivos em geral, suas manifestações dependem da subjetividade de cada indivíduo. Algumas mulheres manifestam tristeza, choro fácil. Outras, crises de angústia, ansiedade, irritabilidade ou até mesmo comportamentos de indiferença ao momento vivido. De forma geral, além das dificuldades que podem interferir nos cuidados consigo mesma, há as dificuldades em relação aos sentimentos e cuidados para com o filho.

E por que ela acontece? É possível considerar que vivenciar a maternidade é experimentar um turbilhão de emoções e nem sempre a mulher está preparada psiquicamente para tal enfrentamento.

Fisicamente, além das mudanças corporais, a mulher passa por alterações hormonais que faz com que ela fique mais sensível. Emocionalmente, além das alegrias vivenciadas pela chegada de um filho, é comum o despertar de sentimentos como insegurança, dúvidas, angústia, preocupações com o desconhecido, inúmeros questionamentos e até sentimento de perda devido às inúmeras mudanças que vão ocorrendo em sua vida. Dessa forma, é um misto de situações e informações que podem ocasionar uma sobrecarga emocional difícil de suportar.

É importante ressaltar que a depressão pós-parto não significa não amar o próprio filho ou não querer ser mãe, por isso mulheres que passam por tal vivência não precisam sentir vergonha ou se culpar. A depressão pós-parto é uma condição clínica que evidencia uma desorganização emocional, que tem como consequência a interferência direta na relação mãe-bebê.

Também deve-se ressaltar que os quadros de depressão pós-parto podem ser desde mais severos, no qual se evidencia claramente o sofrimento da mulher, assim como mais brandos, sendo estes mais perigosos, pois muitas vezes não se busca ajuda para resolvê-los e a mulher se acostuma a carregar o sofrimento consigo mesma. Cabe ressaltar que nesses casos, por mais que os sintomas sejam brandos, sua constância o diferem do estado mais melancólico chamado de Baby Blues, popular tristeza materna, comum de acontecer e que é vivenciado logo após o parto e não perdura por muitos dias.

Portanto, o estado emocional da mulher no período gestacional e após o parto demanda muito cuidado e atenção. Quando necessário, a abordagem de tratamento sugere além da avaliação médica, o acompanhamento psicológico. É necessário que a mulher possa entender o que acontece em seu mundo emocional, sendo que a compreensão psicodinâmica dos fenômenos psíquicos auxilia na continência e ressignificação dos sentidos referentes ao momento na qual ela vive, podendo permitir, assim, que a maternidade se torne uma experiência positiva em sua vida.

 

*Texto escrito pela psicóloga, Juliane Strapasson

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