17 de junho de 2020

À flor da pele: como o emocional afeta a pele

A interação existente entre a pele e o psiquismo é bastante complexa. A pele possui algumas de suas camadas com a mesma origem embrionária do tecido neuronal. Diante disso, alguns autores acreditam que as doenças dermatológicas possuam uma estreita relação com o emocional dos pacientes. Nessa mesma linha, vários estudos norte-americanos demonstraram que cerca de 50% dos pacientes que procuram atendimento dermatológico possuem algum distúrbio psiquiátrico ou problema de cunho emocional, sendo a queixa de coceira (prurido) a mais prevalente, mesmo que não apresente nenhuma lesão de pele.

Veja algumas das doenças dermatológicas ocasionadas por fatores emocionais:

Psoríase e Vitiligo: Mesmo não tendo sua etiologia totalmente esclarecida, o estresse é considerado um fator desencadeante de lesões de Psoríase e Vitiligo. Outro fator importante é o fato dessas lesões serem visíveis, sendo alvo de preconceito e desconhecimento das pessoas por acharem que é contagiosa ou até esteticamente desagradável. O paciente acaba se envergonhando, se isolando e com isso desencadeia quadros depressivos.

Acne: Classicamente iniciada na puberdade, ocorre devido a um conjunto de fatores como: alteração do sebo, inflamação e alteração hormonal. Atualmente, estudos comprovam que, juntamente com a alimentação, o estresse pode alterar a composição do sebo. Além disso, o ato de espremer as espinhas pode denotar um sentimento de ansiedade e angústia com as lesões, e por fim provocar cicatrizes que se tornam esteticamente desagradáveis, perpetuando os sentimentos ruins em relação a essa doença. Por fim, existe a acne escoriada, em que há manipulação neurótica da pele, o que provoca lesões escoriadas e cicatriciais.

Disidrose: É um quadro clínico que forma pequenas bolhas nas palmas das mãos e plantas dos pés que possui estreita relação com o estresse, sendo apontado como um dos principais fatores desencadeantes. O paciente também possui muita coceira nas lesões, por vezes essas bolhas rompem, formando rachaduras na pele, que são dolorosas. Existem outros fatores desencadeantes e contribuintes para o surgimento dessas lesões, como infecções fúngicas, uso de medicamentos, cosméticos, entre outros. Por isso, é importante consultar o dermatologista para diagnóstico e tratamento corretos.

Liquen: Considerada uma neurodermite, essa dermatose é desencadeada pelo fato de coçar muito um determinado local, normalmente acometendo as pernas. O ato de coçar se torna um ciclo vicioso, o paciente permanece com prurido e com isso mantém a formação das lesões.

Outras dermatoses como rosácea, dermatite seborreica, dermatite atópica, hiperidrose, queda de cabelo (alopecia), além de distúrbios psicológicos como transtorno obsessivo-compulsivo, podem ter relação com sentimentos de angústia, tristeza, estresse, o que pode perpetuar as lesões apesar dos tratamentos instituídos, ou seja, a pele expressará os sentimentos mesmo quando não estamos cientes deles. Por isso, o tratamento combinado com o dermatologista, psiquiatra e /ou psicólogo é de extrema importância e visa decifrar esses sentimentos, equilibrá-los e tratá-los.

*Texto escrito pela dermatologista, Alexandra Nunes.

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