24 de abril de 2020

A mulher como agente de transformação no agro

A visão feminina dentro de uma organização e no agro transforma vidas. A mulher facilita a comunicação, se atém mais aos detalhes, se preocupa com que haja uma melhora na profissionalização e que todos os envolvidos no desenvolvimento do negócio cresçam. É por isso que a inserção da mulher nos mais diferentes segmentos é tão importante e necessária, pois elas são capazes de realizar grandes transformações.

Um exemplo disso é a engenheira agrônoma Celi Webber que, junto com seus irmãos, cuida da propriedade e da gestão da empresa familiar, as Sementes Webber da cidade de Coxilha/RS. Nascida e criada no campo, Celi traz na sua descendência a veia do agro, as gerações que a antecederam sempre tiveram no campo o seu sustento e hoje ela segue esse mesmo caminho. Aos 22 anos começou a trabalhar na propriedade da família. Formada em agronomia, Celi nunca conseguiu se imaginar longe da terra. Para ela, o agro sempre foi sua realidade, por isso foi tão natural a escolha de sua profissão e a decisão de junto com sua família assumir o trabalho na empresa.

Com sua atuação focada na responsabilidade técnica e na gestão da propriedade, Celi acredita que conciliar o racional do masculino com a sensibilidade do feminino é o que faz o trabalho no agro dar certo. “A mulher tem algumas características que são únicas dentro da organização e que são importantes. As mulheres são menos competitivas, menos propensas a extensas negociações e barganhas, voluntariam-se mais, realizam as coisas com mais cuidado, são menos propensas ao risco e investem buscando soluções sistêmicas.”

No entanto, apesar das indiscutíveis qualidades femininas, a engenheira agrônoma acredita que ainda há muitos desafios a serem vencidos. Ao longo de sua trajetória, Celi precisou aprender a conciliar o trabalho com a família, a superar o machismo e principalmente a buscar sempre mais conhecimento para conseguir acompanhar as demandas do setor. “O maior desafio que uma mulher enfrenta acredito que seja conciliar a profissão com a maternidade, ser filha, esposa, mãe, avó. E no meu caso foi um pouco mais difícil, porque tenho a minha filha mais velha que é especial e sempre exigiu mais cuidados. Outro desafio cultural que precisamos enfrentar é, com certeza, o machismo. Além disso, manter-se atualizada também é desafiador, porque hoje as novas tecnologias surgem e mudam muito rapidamente. Mas vejo que a mulherada jovem que está chegando vai ter menos obstáculos e vai seguir o caminho que a minha geração abriu.”

Além de engenheira agrônoma, gestora, mãe e avó, Celi também gosta de realizar alguns trabalhos voluntários. Sua inspiração é saber que por meio da sua atuação consegue melhorar as condições de vida da sua família, dos funcionários e seus familiares e da comunidade na qual está inserida, promovendo o desenvolvimento econômico e social. A engenheira agrônoma afirma que com o crescimento e melhoria dos negócios na sua empresa é possível aumentar o número de colaboradores, de emprego e renda das pessoas da comunidade regional.

Para Celi, o segredo do sucesso da mulher no agro se baseia em cinco pontos: gostar do que faz e fazer bem feito; estar sempre bem informada e buscar conhecimento; saber ensinar; ter uma postura ética e ser exemplo; e ser organizada e paciente. “Vejo hoje que a atuação da mulher no agro aumentou e melhorou muito, tanto nas propriedades rurais quanto nas empresas de insumos agrícolas, agrônomas no campo e profissionais em empresas de venda de máquinas agrícolas. Tem uma pesquisa que diz que ter mais mulheres trabalhando nas empresas aumenta a lucratividade, pois as mulheres conseguem ter muitas habilidades. Eu acredito nisso, pois sei do poder de transformação de cada mulher.”

Deixe seu comentário
WhatsApp chat