31 de março de 2020

A Síndrome de Burnout no universo feminino

Considerando que no mês de março enfatizamos as reflexões sobre a mulher e seus diversos papéis, nada mais justo do que aproveitarmos esse momento para propor uma reflexão de cuidado e atenção com a saúde emocional delas. Elas que atualmente não são simplesmente mulheres, são “supermulheres”. Cuidam da casa, dos filhos, seguem profissionalmente atualizadas, auxiliam os familiares, se preocupam com os amigos e assim por diante.

Poder assumir diversos papéis, sendo eles profissionais ou pessoais, tem sido um avanço muito importante. No entanto, é necessário ter um olhar cauteloso para que todos esses avanços não se tornem um vilão, pois movidas por pressão ou coragem, as mulheres tomam a frente e acabam por fazer tudo sozinhas e pela maior parte do tempo. Dessa forma, em algum momento pode acontecer a “sobrecarga” de responsabilidades e é ali que o corpo e a mente “passam da conta”, e ocorre a chamada Síndrome de Burnout.

Popularmente conhecida como síndrome do esgotamento profissional, é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse, esgotamento físico e psicológico resultante de situações de trabalho desgastante. Considerado sério e que pode levar ao desenvolvimento de doenças mais graves como quadros depressivos ou até doenças psicossomáticas, no universo feminino a Síndrome de Burnout pode ser apresentada pela via profissional, mas pode ter sua origem em outras demandas, aquelas relacionadas a sua vida pessoal.

Estudos evidenciam que essa síndrome afeta mais mulheres do que homens, devido ao acúmulo de atividades não apenas do trabalho, mas do trabalho e da vida pessoal.  Opção própria?  Nem sempre, pois à mulher sempre foi atribuído o papel de cuidadora e, por isso, ingressar na carreira profissional é uma conquista muito importante. Porém, algumas mulheres exigem que isso tem que acontecer sem deixar “a peteca cair”, ou seja, antes era a casa, depois a casa e os filhos e agora tem que ser a casa, os filhos e o trabalho, pois acham que precisam “dar conta de tudo sozinhas”.  Descansar, relaxar e desfrutar passam a ser sinônimos de preguiça, fragilidade ou ineficiência, quando na verdade é apenas uma necessidade básica e muito importante para a qualidade de vida.

Por isso é necessário ter atenção para identificar tais sinais e sintomas a tempo. É importante respeitar seus próprios limites, se permitir fazer escolhas e, principalmente, dividir as atividades e tarefas possíveis, a fim de poder avaliar e equilibrar todos os papéis aos quais se quer circular, sejam eles profissionais ou pessoais. No entanto, quando isso não ocorre, recomenda-se um acompanhamento psicológico, visando trabalhar a percepção da pessoa sobre ela mesma e de sua relação com o entorno.

*Texto escrito pela psicóloga Juliane Strapasson.

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