11 de fevereiro de 2020

Afinal, o que buscamos em um relacionamento?

Inicio o texto com a citação de Contardo Calligaris, influente psicanalista italiano radicado no Brasil: “Quando nos apaixonamos por alguém a coisa funciona assim: nós lhe atribuímos as qualidades, dons e aptidões que ele ou ela, eventualmente, não tem; em suma, idealizamos nosso objeto de amor. E não é por generosidade; é por que queremos e esperamos ser amados por alguém cujo amor por nós valeria como lisonja. Ou seja, idealizamos nosso objeto de amor para verificar que somos amáveis aos olhos de nossos próprios ideais”.

Complexo não? Pois bem, eis que se cria a questão: quem na verdade buscamos quando nos permitimos criar um laço afetivo?

Literalmente “jogamos” para o nosso objeto de amor a responsabilidade de promover a nossa felicidade. Criamos expectativas, sonhos, ideais, ânsias e desejos de que ele ou ela  seja a razão e o motivo de nossa completude.

Acabamos por esquecer que esse nosso objeto de amor é apenas um ser humano. Simples assim? Nem tanto.

Toda e qualquer relação de afeto entre duas pessoas necessita, de forma vital, ser “alimentada” a todo instante. Basta esse alimento escassear para que se inicie um processo de queixa, culpa, responsabilidade e frustração.

Em minha experiência de escuta clínica posso concluir que alguns desses ingredientes fazem toda a diferença para manter ou matar uma relação afetiva e amorosa. O querer estar junto precisa ser equivalente a um “lutar diariamente para dar certo”. É um esforço bilateral, nunca de um lado só. Casais que “dão certo” se esforçam, e muito para isso. Batalham contra a rotina diária, os problemas inevitáveis da vida, as preocupações, as contas do mês e as diferenças. Mantém um carinho, um afeto e principalmente uma admiração um pelo outro. Entendem que estar juntos não é só uma obrigação social, moral ou religiosa, mas sim um desejo. Dos dois. Apenas. Respeitam o espaço de cada um, incentivando que o seu amor faça aquilo que lhes traga satisfação, porque entendem que não são a única coisa importante na vida do seu parceiro. Buscam, por outro lado, cultivar interesses em comum, afinal, nada mais prazeroso que dividir algo que se ame com o seu amor! Exercem a paciência, nem que para isso obriguem-se a contar até mil ou cem mil!

Mas disparadamente, o que os casais felizes fazem que abastece sua relação é CONVERSAR. Sobre como foi o seu dia, sobre política, a arte do filho, a preocupação com o futuro, seus sentimentos, planos, contas, fofocas do dia, sobre si mesmo e sobre o seu amor. Casais que conversam, ora como bons amigos, ora como analistas políticos, ora como amantes, dividem o que temos de mais precioso: nossos sentimentos e visões a respeito do mundo e da vida.

Ainda não inventaram ingrediente mais formidável para a manutenção de um relacionamento prazeroso! E se isso for possível, queremos a fórmula!

*Texto escrito pela psicóloga Ana Paula L. Rubin Wiedtheuper

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