14 de maio de 2019

Agrícola Dona Maria, uma herança construída por três gerações

Na última edição do Troféu Brasil Expodireto, Giordano Schiochet, engenheiro agrônomo, recebeu o prêmio de jovem produtor rural, um reconhecimento importante que trouxe à tona a história de uma família que acreditou em Não-Me-Toque e no agronegócio, algo que transformou toda a trajetória familiar.

Tudo começou em 1957 quando Ivaldino Antonio Zagonel e Maria de Lourdes Zagonel (in memorian) saíram de Lajeado e vieram morar em Não-Me-Toque. O casal, que tinha uma vida simples e poucos recursos, havia conseguido adquirir uma pequena área de terra, de 24 hectares, onde trabalhariam com suinocultura e com a produção de trigo, atividades principais na época. Quando se mudaram para cá, o casal trazia na mente o sonho de crescer na vida e nos braços a filha recém-nascida, Genisse Zagonel.

Pouco a pouco, com muito trabalho, suor, coragem e dedicação, eles foram melhorando sua vida e ampliando a propriedade da família. “Para meus avós, com certeza as principais conquistas foram cada pedaço de terra adquirido, isso trazia muita alegria para eles, era a fonte de energia e foram sempre muito seguros nas economias”, conta Giordano.

Com a ampliação da propriedade e dos negócios, a família começou um processo de sucessão familiar. Primeiro Ivaldino e Maria passaram o controle da propriedade para a sua filha e o esposo, Genisse e Joaquim Schiochet, que também atuaram em prol do desenvolvimento. Enquanto Giordano estudava e se aperfeiçoava, seu pai, Joaquim, e o irmão, Giancarlo, assumiram o trabalho e se dedicaram aos negócios para futuramente gerenciar a propriedade todos juntos. Agora, Genisse e Joaquim estão passando a administração da propriedade para o filho, Giordano, que reconhece a importância das gerações anteriores e entende o seu lugar na sucessão. “Quando meus pais casaram, meu pai passou a ajudar meu avô na atividade. Da mesma forma que meus avós maternos abriram as portas para meu pai, eles também abriram pra mim, me confiaram essa responsabilidade e eu passei a fazer parte das tomadas de decisões. Para isso, há quatro anos criamos a agrícola Dona Maria, nome dado em homenagem a minha avó, no intuito de organizar melhor essa sucessão.”

Esse processo de sucessão familiar só deu certo porque sempre esteve intrínseco na família. Desde o início eles valorizaram o trabalho de seus sucessores e os incentivaram, fazendo com que eles gostassem do trabalho e da profissão. Dessa maneira, quando chegou a vez da próxima geração assumir o trabalho, isso aconteceu de uma maneira tranquila e natural. Hoje Giordano, a terceira geração da família, está à frente dos negócios e realiza o trabalho de administração da propriedade, exercendo funções que vão desde tomadas de decisão importantes até a operação de máquinas. O produtor acredita que jovens e veteranos trabalhando juntos podem ser uma combinação interessante, porque os mais novos trazem a inovação, enquanto os mais velhos possuem a experiência e a segurança. Ele lembra ainda que a sucessão é muito importante, deve ser pensada e organizada, pois é ela que mantém o negócio vivo e em crescimento.

Um reconhecimento que passou de geração em geração

Tanto o trabalho do avô quanto do neto teve o merecido reconhecimento. Uma das mais importantes premiações do agronegócio, o Troféu Brasil Expodirteto, foi entregue para Giordano no dia 10 de março, que recebeu o título de jovem produtor rural. Esse mesmo troféu já foi entregue para o seu avô, Ivaldino Antonio Zagonel, em 2013, quando foi reconhecido como Associado Destaque.

Receber esse troféu é, para Giordano, uma motivação para seguir melhorando e desenvolvendo o negócio familiar. “Foi fantástico receber este reconhecimento, ainda mais por meu avô já ter recebido, pois ele é uma pessoa que me orgulha muito e que tem uma bela trajetória de vida. Acredito que o troféu é o reflexo do meu trabalho, para mim representa as conquistas alcançadas, o esforço e dedicação.”

O jovem produtor rural reconhece que chegar até aqui só foi possível graças ao trabalho de seus antecessores e o apoio de toda a sua família. “Tanto meus avós quanto meus pais são a minha fonte de energia e ânimo para tocar o negócio, todo o esforço que dedico no meu trabalho é por eles e pelo que fizeram. Sou grato por tudo o que fizeram por nós.”

Como alguém que já está assumindo a propriedade da família e está à frente dos negócios, sendo reconhecido pelo trabalho que realiza, Giordano afirma que os jovens devem se envolver nas propriedade rurais e dar sequência ao trabalho dos seus pais e avós, afinal, os jovens são o futuro do agronegócio.

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