21 de janeiro de 2019

Como é produzido um defensivo agrícola?

Na agricultura atual, é praticamente impossível obtermos produções sustentáveis financeiramente sem a utilização de produtos químicos, sendo principalmente os defensivos agrícolas, que como o nome sugere, defendem a planta de pragas (inseticidas, acaricidas e rodenticidas), moléstias (fungicidas e bactericidas) e invasoras (herbicidas) que se não controladas, competirão com a cultura e fatalmente esta terá menor desenvolvimento e rendimento.

Também são considerados defensivos agrícolas os reguladores de crescimento, que aceleram o amadurecimento e floração de plantas, por exemplo.

O processo de desenvolvimento de um novo defensivo agrícola é longo, laborioso, requer pessoal especializado e alto investimento. De 140.000 novas substâncias sinteti­zadas a cada ano, apenas 500 são selecionadas como possíveis candidatas a ingredientes ativos de novos defensivos agrícolas. Dentre elas, 50 vão para en­saios de campo e apenas duas são apresentadas para registro. Somente uma se perpetua no mercado. Este processo, que dura de 10 a 12 anos, representa um custo aproximado de 200 a 250 milhões de dólares. Como a duração de uma patente é de 20 anos, a molé­cula em questão pode ser explorada comercialmente, em caráter exclusivo pela empresa, por um período de 8 a 10 anos.

Os defensivos agrícolas têm um dos processos de regulamentação e aprovação mais rígidos do mundo. Existem, atualmente, diversos tratados internacionais que regulam o desenvolvimento, produção e comercialização desses produtos.

No Brasil, a Andef, Associação Nacional de Defesa Vegetal, e suas associadas atuam, por meio de suas áreas de Regulamentação Federal e Estadual, de forma a harmonizar os rigorosos requerimentos científicos de ordem agronômica, ambiental e toxicológica.

São vários passos até a comercialização da molécula através do produto comercial:

Pré-screening

Estudo das moléculas e identificados novos princípios ativos.

Screening

Novos testes biológicos são realizados. Neste momento, é verificado o potencial bioquímico dos novos compostos, são conduzidos estudos toxicológicos e ecotoxicológicos preliminares.

Seleção

Momento em que as moléculas com menor potencial e as consideradas inseguras são descartadas, visando garantir a eficácia biológica e a segurança do futuro produto.

Desenvolvimento

O perfil biológico do defensivo é definido e desenvolvido através de testes utilizando formulações otimizadas do produto, puro e composto. Sua performance biológica é avaliada em estufas que permitem simular diferentes condições climáticas. Identificados os melhores produtos, novos testes são realizados em larga escala, para verificar a atuação do produto nas plantas daninhas, nos insetos e nos fungos em condições semelhantes às das lavouras. Também são refinados os testes de segurança do produto, para aumentar ainda mais a confiabilidade do produto.

Registro

Defensivo definido, a última etapa é o registro. Os dados que comprovam a eficácia e praticabilidade agronômica do novo defensivo agrícola, bem como sua segurança ao aplicador, consumidor de alimentos e ao meio ambiente são submetidos para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) e ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que avaliam todas estas informações obtidas sob o mais estrito rigor científico. Somente com a concordância dos três órgãos, o Mapa concede o registro do produto para início da comercialização.

 

*Fonte: sites da ANDEF e AGROLINK

 

 

Matéria escrita pelo colunista Ricardo César Warken

Engenheiro Agrônomo

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