11 de agosto de 2020

Covid-19: análise e monitoramento em Não-Me-Toque

Como o Coronavírus tem se manifestado na cidade? As pessoas sabem se proteger? Estão preocupados com a doença? Essas foram algumas das perguntas que duas pesquisas realizadas pela Secretaria Municipal de Saúde de Não-Me-Toque buscaram responder. A equipe entrevistou centenas de pessoas para entender melhor o comportamento da população e também analisar a proliferação da doença na cidade. Os dados foram compilados pela equipe da Vigilância Epidemiológica e Vigilância Sanitária do Município. O estudo epidemiológico e os gráficos foram feitos por Caroline Lopes Mendes Berbigier e Renata Pietro.

A primeira pesquisa, divulgada pela Prefeitura de Não-Me-Toque em 1º de julho, buscou mapear características dos casos confirmados de Coronavírus na cidade. Os dados mostram que a faixa etária com mais contaminação foram adultos entre 30 e 39 anos, com 12 casos, seguido por pessoas entre 21 e 29 anos, com 9 casos da doença. Outro fator importante sobre o perfil de pessoas contaminadas é que 63% eram mulheres e 37% eram homens. Além disso, o maior índice de casos confirmados aconteceu em moradores do Bairro Centro, que totalizaram 14 casos.

Com relação aos sintomas apresentados pelas pessoas contaminadas, a maioria relatou principalmente dispneia, febre, dor de garganta, tosse e outros sintomas. Apenas 9% dos pacientes foram assintomáticos, ou seja, tiveram a doença mas não apresentaram nenhum sintoma. Ainda sobre as pessoas contaminadas, 81% não tinham nenhuma comorbidade, ou seja, não eram consideradas pessoas do grupo de risco. As outras pessoas apresentaram comorbidades como: doenças respiratórias crônicas descompensadas, imunossupressão, doença cardíaca crônica e diabetes.

A outra pesquisa realizada pela Secretaria Municipal de Saúde buscou entender qual o grau de conhecimento da população em relação ao Coronavírus. Essa pesquisa foi divulgada pela Prefeitura no dia 8 de julho e apontou que 88% das pessoas sabem o que fazer caso apresentem algum sintoma da doença, enquanto 11% não sabem o que fazer nesse caso.

Outro fator que chama muito a atenção nessa pesquisa está relacionado à saúde dos familiares. Quando questionados sobre estarem preocupados com o fato de contrair a doença, 72% dos entrevistados disseram que sim. Mas quando foram questionados sobre estarem preocupados com o fato de algum familiar contrair a doença, 89% dos entrevistados relataram que sim. Ou seja, as pessoas têm mais medo que algum membro da família tenha a doença do que ele mesmo. Apesar disso, 94% dos entrevistados afirmaram que reportariam um caso suspeito de infecção se a pessoa fosse um familiar.

Nessa pesquisa também foi perguntado aos entrevistados se eles consideram que estão sofrendo danos profissionais ou econômicos por causa do Coronavírus: 53% disseram que sim, enquanto 43% afirmaram não estarem sofrendo impacto econômico. Esses números apontam também para a preocupação com a economia durante esse período e mostra o quanto a sociedade está dividida entre o cuidado com a saúde e o cuidado com a economia.

Diante desses dados é possível criar um panorama sobre como o Coronavírus tem se manifestado na cidade e como as pessoas estão encarando a doença. Mas além disso, esses dados também fazem pensar sobre como estão sendo as medidas de controle epidemiológico do Município e de que forma a Secretaria da Saúde está agindo para controlar e combater a proliferação da doença.

Controle e monitoramento dos casos confirmados

A enfermeira coordenadora da vigilância epidemiológica e imunizações, Liliane Kraemer Erpen, explica que a epidemiologia está em constante vigilância, não só desta pandemia, mas em todas as outras doenças que continuam sendo notificadas pelas unidades de atendimento à população, além de todo gerenciamento das campanhas de vacinação.

Ela afirma também que no momento os maiores esforços são nas ações da pandemia cuja estratégia exige a notificação imediata e alimentação diária dos sistemas de informações ESUSve, SIVEPGRIPE e GAL de todos os casos testados para Sars cov-2, casos de síndrome gripal e casos confirmados da infecção Covid-19. “A análise dos registros das notificações e monitoramento dos casos confirmados nos permite desenvolver estudos epidemiológicos observando o comportamento da doença, suas manifestações, perfil dos pacientes confirmados considerando sexo, idade e comorbidades associadas. Também é possível fazer cálculos matemáticos que visam a projeção do avanço da doença e fase de pico, auxiliando no planejamento estratégico de ações a serem desenvolvidas pela gestão como medidas protetivas para manter nossa população segura e interromper a cadeia de transmissão do vírus.”

Para realizar o monitoramento do Coronavírus em Não-Me-Toque, uma equipe técnica foi designada para esse trabalho intensivo de vigilância e acompanhamento de casos suspeitos e confirmados de Covid-19, seus familiares e contatos próximos. Esse monitoramento é realizado por meio de questionamento diário desses pacientes sobre seus sintomas, avaliação do quadro clínico e agendamento de exame confirmatório.

Quando um paciente é confirmado com a doença, a equipe epidemiológica realiza uma série de condutas que variam de um paciente para o outro, mas sempre respeitando as diretrizes e protocolos do Ministério da Saúde. Essas condutas são criadas em conjunto com Comitê Operacional Emergencial de Estratégias do Município (COE/MUNICIPAL) em contato com o COE/RS e 6ªCRS e atendem questões como o isolamento domiciliar necessário, medidas protetivas, sinais de gravidade da infecção e a solicitação da lista de nomes de contatos próximos nos últimos 14 dias.

Além de todas as técnicas e regras utilizadas nesse atendimento, a equipe epidemiológica da Não-Me-Toque busca humanizar o cuidado com os pacientes, auxiliando em tarefas e dando apoio emocional. “Sempre questionamos sobre a possibilidade do auxílio em tarefas como mercado, farmácia e exames quando o paciente não tem ajuda de alguém próximo. Também fazemos o contato com a Secretaria de Assistência Social que tem distribuído cestas básicas a quem necessita durante o isolamento”, conta Liliane.

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