19 de junho de 2020

Crise, Resiliência e Autoconhecimento

Vivemos tempos antes impensáveis. Nem em nossos mais imaginativos dias cogitamos o cenário atual em nossas vidas. Em diferentes contextos pessoais e profissionais todos nós fomos confrontados com as novas vivências decorrentes da pandemia do Coronavírus. Algo que se impôs para além de nossos desejos, temores e, muitas vezes, possibilidades psíquicas.

Como você tem se sentido? O que tem percebido sobre suas reações e possibilidades comportamentais? E o que percebe das pessoas a sua volta?

Muito já vem sendo falado e pensado sobre o atual contexto e as emoções. Mas te convido aqui para refletirmos sobre as possibilidades individuais de enfrentamento dos desafios e a capacidade de resiliência de cada um.

Todos nós nos organizamos em função de nossas histórias de vida. Viemos nos constituindo como sujeitos únicos. Tudo isso decorrente das nossas experiências de cuidado, nossos modelos familiares, desafios e possibilidades. A partir daí constitui-se nosso aparato psíquico, nossos repertórios de defesa diante das crises.

Neste contexto de pandemia, nossas defesas entram em ação acionadas pela avalanche incontida de fatos, temores e desafios. Alguns lançam mão de defesas mais primitivas ou infantis, negando a real gravidade por medo de enfrentá-la. Outros mergulham e disseminam excessivo pânico. Seja qual for a sua reação neste contexto, ela sempre será um convite ao autoconhecimento e às possibilidades de fortalecimento de quem somos e podemos nos tornar diante das crises como essa.

Também o momento nos convida ao acolhimento e escuta de nós mesmos, de nossa humanidade e verdadeiro eu. Somos sempre fortes? Temos o direito à fragilidade? Somos mais fortes do que pensamos? Esse é o momento de fortalecer nossa resiliência através da capacidade de nos responsabilizarmos individualmente por nós mesmos, fazendo escolhas mais saudáveis nestes tempos de afastamento social e cuidados. Resiliência também se desenvolve no enfrentamento cuidadoso de nossas fragilidades e possibilidades. Quem sabe não seja este, também, um importante espaço para avaliarmos nosso real tamanho e acolhermos a nós mesmos de uma forma mais realista e cuidadosa?

*Texto escrito pela psicóloga, Valéska Walber.

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