29 de abril de 2019

Eduardo van Lieshout e a coragem para desbravar as terras brasileiras

Sair da sua cidade não é algo fácil, afinal, você deixa para trás sua família, seus amigos e pessoas que realmente são importantes para você. Mas às vezes mudar é necessário, principalmente quando se tem um sonho, ou o desejo de crescer e de ter mais oportunidades. Eduardo van Lieshout conhece esses sentimentos. Aos 23 anos ele deixou Não-Me-Toque e foi tentar a sua vida em Goiás, onde, junto com a sua família, adquiriu uma propriedade de terra, na qual ele, sua esposa Ângela e seu irmão, Adriano van Lieshout, foram morar e trabalhar.

Eduardo nasceu em 13 de novembro de 1971, filho de Willibrordus van Lieshout e Alberta Sleutjes e lembra com carinho da sua infância, das coisas que viveu em Não-Me-Toque e dos amigos que tinha na cidade. “Tive uma infância muito boa, nunca me faltou nada, estudei em colégios particulares e fiz o segundo grau técnico na cidade de Três de Maio. Após a formatura de técnico, ajudava na propriedade da família em Vila Fogo, Não-Me-Toque, era uma propriedade de 285 hectares. Além disso, quando morava em Não-Me-Toque tinha um grupo muito grande de amigos e também foi aí que conheci a minha esposa, a Ângela, que me apoiou e me acompanhou na mudança de cidade”, lembra o produtor rural.

Apesar da vida tranquila que tinha em Não-Me-Toque, Eduardo e seus irmãos tinham a vontade de ampliar a área de terra da família e plantar mais. Além disso, as previsões para o futuro não eram as melhores, afinal, quando houvesse a divisão das terras da família, os 285 hectares se diluiriam em cinco pequenas propriedades, algo que preocupava o pai e também os filhos. Por esse motivo e pelo sonho de crescer, em 30 de maio de 1995 Eduardo e Angela deixaram Não-Me-Toque e foram tentar uma nova vida em Goiás. Com a venda da terra que a família tinha em Vila Fogo, Eduardo, seus pais e seus irmãos conseguiram comprar uma propriedade de 750 hectares na cidade de Silvânia, em Goiás, uma cidade localizada a 120 quilômetros de Goiânia e a 120 quilômetros de Brasília.

A mudança de endereço marcou o início de uma nova vida. E como todo o começo é difícil, Eduardo sentiu de perto as dificuldades e desafios de estar longe de casa, da família e da sua terra natal. “O começo dessa nova jornada não foi fácil, estava a 40 quilômetros de estrada de chão da primeira cidade, com comunicação precária e em uma cultura diferente, clima totalmente diferenciado, mas com pessoas acolhedoras. Eu e minha esposa moramos na fazenda por três anos, depois nos mudamos para Goiânia. Apesar de todos os desafios e dificuldades que passamos, tenho certeza que foi muito mais fácil do que a vinda dos imigrantes holandeses, alemães e italianos que imigraram para o Brasil. Mas ainda assim, tivemos que superar alguns obstáculos, como, por exemplo, aprender a lidar com o clima diferente, dificuldade para a aquisição de peças e equipamentos, a distância da família e amigos e também a distância para a logística dos grãos. Esta última conseguimos sanar, em 2000, quando investimos em armazenagem na fazenda.”

Aos poucos, o produtor rural foi se adaptando ao novo lugar, ao clima e superando cada obstáculo que surgia pela frente. Apesar de tudo o que viveu, Eduardo nunca pensou em desistir e voltar para Não-Me-Toque, mesmo quando a saudade da família e dos amigos batia forte, ele sabia que lá era o seu lugar e a sua nova casa.

Ano após ano, com trabalho, suor e dedicação, o casal foi colecionando grandes conquistas, entre elas, destaca-se a formação da sua família, com o nascimento dos seus filhos Eduarda e Pedro, e também a certeza de estar no caminho certo e ver os negócios crescendo e prosperando. “Hoje, consigo ver que estávamos no caminho certo quando decidimos nos mudar. Além disso, por meio do nosso suor, da coragem, do trabalho, dos dias começando antes do amanhecer, criamos uma fórmula do sucesso que ainda vem sendo construída com excelência”, afirma Eduardo.

Agora Eduardo tem certeza que a decisão que tomou lá em 1995, por mais difícil que tenha sido, foi a melhor escolha. Ele teve coragem, garra e persistência para deixar sua cidade e prosperar em um lugar distante, diferente e totalmente novo, o qual com o passar desses quase 24 anos tornou-se sua nova casa.

Ao lembrar e pensar em Não-Me-Toque, o produtor rural sente orgulho e gratidão por ser filho dessa terra. “Sinto orgulho e gratidão por ter vindo dessa terra tão bonita. Tenho certeza que defendo mais esse Município morando longe do que alguns morando na cidade. Hoje, quando olho para trás e lembro-me de tudo o que viví para chegar até aqui, a única palavra que posso pensar para descrever a minha vida é gratidão. Sou grato a Deus por ter me mostrado o rumo certo, para o lugar certo, com as pessoas certas e a família certa. Acredito que sem gratidão e sem humildade, você não vai a lugar nenhum.”

Como alguém que cresceu e encontrou seu lugar no mundo, Eduardo acredita que ter coragem para encarar um desafio como esse é para poucos, mas aqueles que desejarem isso e tiverem um sonho, ele aconselha para irem atrás, persistirem e aproveitarem as oportunidades, pois, em suas palavras, o cavalo encilhado só passa uma vez.

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