12 de novembro de 2019

Filho de peixe, peixinho é!

Ao contrário da caça e da agricultura, a pesca sofreu poucas alterações ao longo do tempo. Alguns dos utensílios, processos e métodos destinados a capturar os seres vivos aquáticos são ainda hoje os mesmos, ou muito semelhantes, usados há milhares de anos.

Existem vestígios da existência da pesca em lugares arqueológicos no período Paleolítico, há cerca de 50 mil anos, sendo a pesca, juntamente com a caça, uma das primeiras profissões do ser humano. No sul dos continentes Africano e Europeu há pinturas rupestres datadas de 25 mil anos atrás representando peixes e cenas de pesca.

Atualmente, o Brasil produziu 722.560 toneladas de peixes de cultivo em 2018, com crescimento de 4,5% sobre as 691.700 toneladas do ano anterior, gerando uma receita de R$ 5,6 bilhões. Os dados são do levantamento nacional da Associação Brasileira da Piscicultura, entidade de âmbito nacional que reúne empresas de todos os segmentos da cadeia produtiva, além de entidades de classe regionais. O país é o quarto maior produtor de tilápia do mundo, atrás de China, Indonésia e Egito.

A tilápia é um dos carros-chefes dos peixes de cultivo no Brasil. Foram 400.280 toneladas em 2018, com crescimento de 11,9% em relação ao ano anterior. O Paraná lidera o ranking nacional, com 123 mil toneladas/ano (29,3% do total), seguido de São Paulo (69,5mil toneladas), Santa Catarina (33,8 mil toneladas), Minas Gerais e Bahia.

Com expressiva presença no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a carpa responde por mais de 80% das 34.370 toneladas enquadradas no item Outras Espécies. Além da carpa, essa categoria inclui a truta e o jundiá, que representam 4,6% da produção total de peixes de cultivo em 2018.

A produção de alevinos tem um enorme potencial de crescimento no Brasil, tendo mais de 1 milhão de empregos diretos gerados em todos os estados e 455 mil estabelecimentos de aquicultura (60% no Sul).

No entanto, o consumo de peixe por habitante não chega a 10 kg/ano, abaixo do que a Organização Mundial de Saúde preconiza como ideal, de 12 kg/ano, sendo que a média mundial é superior a 20 kg/ano.

Além do consumo interno que precisa aumentar, a exportação de peixe torna-se uma grande oportunidade para o país, no qual no ano passado a exportação movimentou aproximadamente US$ 200 milhões, bem abaixo da importação, que movimentou mais de US$ 1 bilhão, principalmente de salmão, 75,7 mil toneladas, e panga, espécies que o país não produz. Porém, ambos chamam a atenção no mundo em termos de produção, que de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a produção de panga, em 2018, atingiu 2,56 milhões de toneladas no Vietnã, Índia, Bangladesh e Indonésia, superando a de salmão que produziu 2,40 milhões de toneladas na Noruega, Chile, Escócia e EUA.

*Texto escrito pelo engenheiro agrônomo Ricardo César Warken

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