8 de abril de 2020

Hora da colheita!

Chegou a tão esperada hora de colher uma safra inteira de planejamento, ações, monitoramento e angústias devido a invasoras, pragas, moléstias e, principalmente, o clima. Em nosso estado e na nossa região é sabido, mesmo antes de iniciar a colheita da soja, que teremos grandes perdas de rendimentos em função da falta de chuva, que ocorre desde dezembro do ano passado. Mas a colheita precisa ser realizada, com o intuito de retirar o máximo que as plantas conseguiram produzir. Estancar as perdas nesta hora é fundamental para obtermos resultados melhores, visto que em anos que colhemos bem, as perdas na colheita passam despercebidas e não damos muita importância a isso. Neste início de colheita da soja, temos a certeza que fizemos a nossa parte, no quesito que envolve todas as práticas de manejo, já no clima não temos interferência e essa condição de estiagem faz parte da vida dos agricultores. Precisamos encará-la com muita coragem para resolver os contratempos que o faturamento aquém do desejado possa ocasionar.

A primeira coisa que precisamos levar em conta é que a perda zero não existe, sempre haverá perdas, mesmo que insignificante. Algum grão perderemos entre o momento da entrada da colhedora na lavoura até o destino final do grão. De acordo com padrões internacionais e que também são considerados pela Embrapa, a tolerância de perdas é de até uma saca/ha. Acima disto é desperdício e devemos encontrar onde está o problema e tentar resolvê-lo para diminuí-lo. Considerando uma lavoura de 100 ha, isso pode significar uma perda superior à R$ 8.000,00 de acordo com os preços atuais.

No corte da plataforma ocorrem 80 a 85% das perdas na colheita. Os produtores que pensam que máquinas antigas causam mais perdas na colheita em relação a máquinas novas e modernas estão muito enganados, pois máquinas antigas não causam mais perdas na colheita, mas máquinas desreguladas sim. A regulagem das máquinas é o procedimento que irá refletir diretamente nas perdas, sendo vital para uma colheita com o mínimo possível de perdas.

O total de perdas na colheita é uma soma de diversos fatores que podem ser evitados com ações simples, como:

– Velocidade de deslocamento da colhedora deve estar entre 3 e 6 Km/h;

– Barra de corte tem que estar afiada;

– Substitua as navalhas danificadas e verifique a folga;

– Verifique os dedos e os substitua se necessário;

– Velocidade de rotação do molinete;

– Observe e faça o ajuste da altura do molinete, que deve estar geralmente 30 cm à frente da barra de corte;

– Verifique o caracol, a altura em relação à parte posterior de alimentação;

– Faça a calibração e verifique as folgas do sistema de trilha.

No entanto, a perda de grãos não ocorre somente na hora da colheita. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, durante 2018, cerca de 206 milhões de toneladas de grãos foram transportados entre a lavoura, unidades de recebimentos e portos, e em estudo coordenado pela Companhia Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, mostrou que 1,5% (2,4 milhões de toneladas) foram perdidas nas rodovias, representando uma perda aproximada de R$ 2 bilhões, somente em soja e milho. No RS, esta perda representa 1,7% da produção (355 mil toneladas), sendo causada pelo descuido na parte operacional na colheita e pós-colheita dos grãos, manutenção dos caminhões e ou carretas e pelas más condições das rodovias brasileiras.

Desejo que, apesar dos problemas climáticos atuais, tenhamos uma excelente colheita!

*Texto escrito pelo engenheiro agrônomo, Ricardo Warken.

Deixe seu comentário
WhatsApp chat