3 de maio de 2019

Inácio Carlos Urban e o sonho de produzir alimentos

Para realizar um sonho você precisa sair da sua zona de conforto, encarar os desafios e às vezes deixar para trás sua família e amigos. O sonho de Inácio Carlos Urban exigiu tudo isso. O menino que desejava produzir alimentos em maior escala deixou Não-Me-Toque com 24 anos e foi tentar ser produtor de alimentos em Minas Gerais.

Inácio nasceu em Não-Me-Toque, é o único filho homem em uma família só de mulheres. Seus pais Otto Lucas Urban e Hilda Érica Urban eram produtores rurais e desde pequeno Inácio os ajudou no trabalho agrícola. Conforme crescia, Inácio alimentava o sonho de ser um grande produtor de grãos, mas sabia que em Não- Me-Toque não conseguiria seu lugar ao sol. “Eu sempre tive o sonho de ser um produtor que conseguisse produzir em grande escala e isso em Não-Me-Toque seria quase impossível. Então, em 1976, fui morar em Patos de Minas, Minas Gerais. Saí de Não-Me-Toque em uma camionete antiga e uma mudança mínima para ir atrás do meu sonho.”

A área de terra adquirida era no Cerrado Mineiro. Todos na época diziam que o cerrado era improdutível, uma terra infértil na qual era impossível produzir qualquer tipo de grão, mas isso não desanimou Inácio, que estava convencido que transformaria o cerrado em uma terra de alta produtividade.

Só que no começo isso não aconteceu. Quando iniciou o plantio em Minas Gerais, Inácio sabia muito pouco sobre o clima da região, as chuvas, a época do plantio e as variedades de soja. Tinha poucas informações porque o povo mineiro não plantava no cerrado, afinal, para eles terras produtivas eram as terras de cultura. “Chegamos sem crédito, sem dinheiro e sem conhecimento. Não tinha experiência nenhuma, só tinha vontade de trabalhar e de ser uma pessoa de sucesso. Por isso nós tivemos muitos desafios, mas eu vim para cá com a cara, a coragem e com vontade de vencer e superar os desafios”, conta Inácio.

E os desafios surgiram logo no primeiro ano, as experiências com a nova terra não estavam sendo fáceis. Inácio sabia que havia entrado em uma terra desacreditada, mas queria provar o contrário. Para isso chegou a vir para o Rio Grande do Sul buscar uma semente de soja que diziam ser muito boa, mas quando chegou lá e plantou, a semente foi uma negação, a soja ficou com 30 centímetros acima do chão e foi preciso colher tudo a mão.

Após a primeira colheita, Inácio pensou em abandonar seu sonho e voltar para Não-Me-Toque porque havia colhido apenas quatro sacos de soja por hectare. “Começamos a acreditar no que os mineiros falavam sobre as terras improdutivas do Cerrado. Isso fez a gente pensar muito se ficava ou voltava para o Sul, mas achamos por bem mostrar que nós somos capazes de produzir em terras inférteis, terras que não serviam para nada. Entramos com a cara e a coragem e graças a Deus a segunda safra foi muito superior e estamos aqui até hoje.”

A persistência de Inácio foi fundamental para que ele prosperasse no Cerrado Mineiro. Ele não só deu a volta por cima como conseguiu realizar o seu sonho: tornou-se um grande plantador de alimentos e contribuí diariamente na alimentação das pessoas. “A principal conquista que eu tive em Minas Gerais foi conseguir transformar o Cerrado improdutivo em uma terra de boa produtividade. Hoje eu produzo milho comercial, milho semente, soja, algodão, café, tomate industrial, ervilha e milho doce”, conta Inácio.

Uma pessoa realizada e feliz, Inácio, casou-se com Edna Urban, teve os filhos Fernando e Érika, construiu o seu legado e também a sua empresa, o Grupo Farroupilha, a qual hoje, junto com os seus filhos, administra todo o trabalho. Os filhos, que conhecem a história e o sonho do pai, agora são os seus sucessores no negócio e trabalham para que ele siga prosperando, lembrando-se sempre da força, garra e determinação que o pai ensinou.

Como um bom filho de Não-Me-Toque, Inácio, mesmo a tanto tempo longe da sua terra natal, sente orgulho de ter suas raízes nessa terra e fala sobre a cidade com um brilho nos olhos. “Eu tenho muito orgulho de ter nascido em Não-Me-Toque. Foi aí que eu aprendi, com os meus pais, a ser trabalhador, honesto e humilde, valores que eu carrego até hoje. Considero minha cidade natal extremamente linda e formada por um povo muito trabalhador, acolhedor e por pessoas de bom coração.”

Para aqueles que sonham em ter sucesso, Inácio aconselha que persistam, apesar dos desafios não deixem de lutar pelo que desejam. Segundo ele, é preciso otimismo e entusiasmo para se realizar um sonho, mas principalmente muito trabalho, pois só quem realmente faz acontecer é capaz de colher os frutos no final.

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