12 de setembro de 2019

Irmãs de Notre Dame: Filhas da terra por uma missão

As Irmãs de Notre Dame são conhecidas pelo seu belo trabalho social em diferentes partes do mundo. Em Não-Me-Toque há Irmãs, filhas desta terra, que encontraram a sua realização pessoal e profissional na missão que realizam ou realizaram aqui e fora da cidade. Essas irmãs trabalharam em diferentes frentes: na educação, na pastoral da criança, na formação de lideranças leigas e religiosas, vocações e como missionárias dentro e fora do país.

Irmã Maria Lourdes Urban, filha de Otto Lucas Urban e Hilda Erica Urban, deixou a casa paterna aos 12 anos para prosseguir seus estudos e preparar-se para ser Irmã e professora, em Passo Fundo. Iniciou sua vida profissional como professora em Maravilha, SC. Depois exerceu o magistério em outras unidades da Instituição.

Ir M. Lourdes fala sobre a sua maneira de ser: “Sou proativa por princípio e procuro servir a Jesus Cristo no maior grau de perfeição possível, levando a sério os votos emitidos e oferecendo uma educação de excelência na área de Espiritualidade, Língua Portuguesa e Inglesa com suas Literaturas, formação de lideranças religiosas, pedagógicas e missionárias. A Congregação Notre Dame sempre me ofereceu formação teórica e experiências desafiadoras para o exercício das missões que me foram sendo confiadas”.  Ela ressalta ainda que foi diretora por 11 anos do Colégio Notre Dame Rainha dos Apóstolos de São Paulo, bem como da Escola Notre Dame Menino Jesus de Passo Fundo, de Brasília e Recreio dos Bandeirantes do, Rio de Janeiro.

Durante seis anos Irmã M. Lourdes foi provincial das Irmãs de Notre Dame, em Passo Fundo. Nesse período, por orientação do governo geral, foi desenvolvido o projeto da Missão Notre Dame, em Moçambique, na África. Em 1993 partiram quatro irmãs com a missão de formação de lideranças, sobretudo femininas. Em mais de 25 anos dessa missão a Congregação já formou 10 irmãs nativas.

Atualmente a Irmã está na coordenação do Residencial Casa Betânia de Não-Me-Toque que abriga mais de 30 irmãs idosas e que necessitam de cuidados e assistência.

Para as jovens que pensam em seguir a vida religiosa, Irmã M. Lourdes afirma que vale a pena essa missão. “Sempre vale a pena, se a alma não for pequena. Sempre há periferias e lugares ao sol para quem quer fazer o bem, ser feliz ao levantar um caído, ouvir um desesperado, agir sem corrupção, praticar a justiça no pequeno e no grande.”

Irmã Loiva Urban e sua vida missionária

Irmã Loiva Urban é mana de Ir M. Lourdes. Iniciou a preparação para a vida religiosa aos 14 anos, em Passo Fundo. Tornou-se religiosa aos 19 anos e começou a atuar como professora e diretora nas escolas Notre Dame e na Universidade.

No entanto, o grande marco da vida de Irmã Loiva foi seu trabalho como missionária durante oito anos em Moçambique, na província de Manica, em 1993, logo após o término da guerra civil. “Moçambique era, então, o país mais pobre do mundo, coincidindo com sete anos de seca, três dos quais enfrentamos com o povo. Foi uma missão desafiadora, linda e com o povo mais feliz do mundo. Nós estranhávamos tanta felicidade. E muitas vezes perguntávamos às pessoas: “Como vocês podem ser tão felizes, se não tem absolutamente nada, nem onde morar, nem o que comer?” E eles sempre respondiam: “Irmã, a guerra acabou!”Felizmente, não temos a triste experiência de uma guerra”, relembra Irmã Loiva.

Entre os legados de Ir Loiva, merece especial destaque sua produção científica. Entre elas a obra PADOKO PADOKO uma experiência na África Negra em coautoria com Dirce Slaviero, além dos livros Escolas Alemãs – 1923 – 1951 e Quatro Histórias reais na sexta coluna, obras em coautoria com Claudia Stumpf. Na última obra há um capítulo que fala dos campos de concentração no Brasil e sua existência em Não-Me-Toque. Essas obras estão disponíveis na Casa de Cultura Dr. Otto Stahl. Atualmente, Ir. Loiva trabalha no projeto de Catequese e Evangelização numa diocese no norte brasileiro.

Para Irmã Loiva, a vida religiosa é um processo de fé e convida os jovens para seguirem esse caminho. “Jovem, deixe-se encantar por Jesus Cristo e seu reino! Seja um Padre, seja uma Irmã! Venha segui-lo mais de perto. A Igreja precisa de operários, cristãos que se envolvam completamente com a missão de evangelizar. Venha e seja missionário na Amazônia, na África, na Ásia. E pode ter certeza, Jesus Cristo estará com você, assim como prometeu!”

Irmã Noeli Elsa Friderichs e o espírito missionário

Irmã Noeli Elsa Friderichs é filha de Irmina Rippel Friderichs e Carlos Osvaldo Friderichs. Percebeu o chamado para a vida religiosa aos 13 anos. Fez a sua preparação e formação religiosa e após concluí-la foi chamada para atuar no estado do Acre, onde viveu por 22 anos. Com formação em Auxiliar de Enfermagem, Irmã Noeli atuou em diferentes frentes enquanto esteve no Acre, desde Pastoral da Criança, Pastoral do Idoso, Ministra da Eucaristia, Pastoral do Dízimo, até o cuidado e visitas aos doentes. Tudo com muito amor, humildade e dedicação.

Como missionária, Irmã Noeli trabalhou nas cidades de Rio Branco, Tarauacá, Feijó e Jordão. Gosta de falar de Jordão onde viveu a vida missionária na sua essência, fazendo visitas às aldeias dos índios Caxinauás para orientá-los quanto às questões de saúde, alimentação e vivência da Fé.  Viajava pelos rios visitando as comunidades ribeirinhas e realizava celebrações e cultos dominicais, já que não havia padre na cidade e para conseguir realizar esse trabalho, Irmã Noeli precisou conhecer e se acostumar com a cultura daquele povo, para que assim pudesse contribuir com eles. Durante o tempo em que esteve lá e através do seu trabalho, Irmã Noeli conseguiu despertar vocações à vida religiosa, sacerdotal e lideranças locais.

Para Irmã Noeli, ser religiosa é gratificante e realizador. “A vida religiosa, sacerdotal e liderança leiga valem a pena porque nessa atuação também é possível se realizar pessoal e profissionalmente, porque existem várias áreas de atuação e muito campo para a criatividade. Em qualquer profissão você precisa se preparar, ter conhecimento e trabalhar, assim também é na vida religiosa.”

Irmãs de Notre Dame: uma vida inteira dedicada à missão

As Irmãs de Notre Dame chegaram a Não-Me-Toque oriundas da Alemanha, por iniciativa do Frei Jacó Hoefer para fundar internatos femininos e abrir escola, nas quais as crianças pudessem aprender a leitura, escrita e operações matemáticas. Logo entusiasmaram jovens que também queriam ser religiosas e abriram uma Casa de Formação na cidade.  Entre as primeiras turmas de irmãs, temos duas manas Ir. Maria Aparecida e Ir. Edwiges Urban, filhas de Carlos Urban e Madalena Weschenfelder Urban, agricultores piedosos e de uma fé muito grande. Irmã Maria Aparecida Urban era a filha mais velha de sete irmãos. Foi uma das primeiras Irmãs de Nossa Senhora no Brasil. Já como noviça, a Irmã fez sua primeira experiência de magistério na Escola Sagrada Família, em Rolante. Colocou seus talentos a serviço da educação e alfabetização das crianças em diversas escolas da congregação.

Após 35 anos de magistério, passou a se dedicar aos serviços caseiros mais leves e a costura em diversos hospitais. Seu legado foi a sua contribuição eficaz para a formação dos futuros sacerdotes, deixando uma marca profunda nos Seminários da Sagrada Família de Ivorá, Maravilha, Santo Ângelo e no Seminário Diocesano Nossa Senhora Aparecida em Passo Fundo, por onde passou. Faleceu em 1988.

Já Ir. Maria Edwiges Urban, a irmã mais nova, dedicou sua vida à cozinha. Tornou-se cozinheira e por 48 anos serviu casas e seminários. Sua principal atuação foi no Seminário do Escolasticado de São José dos Padres da Sagrada Família de Passo Fundo, Seminário de Santo Ângelo e Seminário Diocesano de Passo Fundo.

Tanto Irmã Maria Edwiges como Ir. Aparecida trabalhavam intensamente na formação dos futuros sacerdotes. Seu irmão, Padre Alberto, era missionário no Acre e o apoiavam na sua missão pela oração, confecção de terços e ajuda provinda dos parentes.

Ir. Edwiges procurava sempre o lado positivo das situações e tinha um bom senso de humor. Serviu a Deus na congregação e seu zelo, fidelidade, dedicação às irmãs, aos seminaristas, sacerdotes e idosos são seu grande legado. Irmã Maria Edwiges faleceu em 1995, no Hospital das Irmãs de Não-Me-Toque, onde fora também coordenadora das Irmãs da Casa Betânia.

Irmã Maria Inácia Martini em Missão educativa

Irmã Maria Inácia Martini é uma filha desta terra que teve como missão a educação, passando por diversas cidades, ensinando e formando jovens. No final de sua vida voltou para a sua terra natal, deixando como legado o seu nome em um bairro da cidade. Irmã M. Inácia Martini por 40 anos foi professora de História, Geografia, Organização Social e Política Brasileira, Religião e Português. Amava música e tocava piano e harmônico. Com sua boa voz animava a liturgia nas comunidades por onde passou. Irmã Maria Inácia Martini faleceu em 1993.

Irmã Lúcia Maria Berres e o amor pela música e pelas crianças

Irmã Lúcia Maria Berres é filha de Walter Berres e Selma Pletsch Berres. Ao longo de sua vida esoalhou a alegria através da música e do trabalho com as crianças. Irmã Lúcia Maria Berres deu aulas de teoria musical, teclado, violão, flauta e piano por mais de 40 anos. Além da música, a Irmã também amava as crianças e por isso dedicou os últimos anos de sua vida à Pastoral da Criança, coordenando a mesma na Diocese de Passo Fundo. Em 2006, Irmã Lúcia foi para o Maranhão implantar a Pastoral da Criança na cidade e nos povoados de Governador Luiz Rocha, onde teve  excelentes resultados. Ela faleceu pouco tempo depois em 2009. Porém o povo a venera e lembra do seu trabalho voltado ao cuidado das crianças e da música até hoje.

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