20 de outubro de 2020

Já pensou em experimentar a carne de Búfalo?

Como exímios gaúchos, gostamos muito de carne e grande parte da população alimenta-se de carne diariamente, seja através de carne de diversos animais ou seus inúmeros derivados. De maneira generalizada, optamos pela carne de gado, mas em função de preço e alternância de sabor, há um crescimento no consumo de suíno, frango, peixes e outras. Uma carne com grande aumento no consumo é a de búfalo, que começa a ganhar novo status no prato dos gaúchos. A valorização vem das características do produto: carne vermelha mais magra e menos colesterol, características nutricionais buscadas pelos novos apreciadores do produto, em especial pessoas com mais de 40 anos.

Não há nenhuma diferença visual e nem no gosto. Segundo a nutricionista da UFSM, Gilberti Helena Hübscher, a quantidade de colesterol nos cortes bubalinos tem em média 83mg/100g, enquanto que na carne bovina a média é de 123mg/100g. A diferença é de quase 50% a menos. Quanto aos teores de proteína da carne bubalina são, em média, de 21% e da carne bovina de 19,5%. Além disso, cortes de búfalos têm menor quantidade de ácido graxo saturado palmítico, que contribui para doenças relacionadas a níveis de gorduras no sangue.

A carne de búfalo costumava ser procurada apenas por consumidores que priorizavam preço, já que o produto é de 15% a 20% mais barato. Nos últimos anos, os cortes de bubalinos passaram a ser propagados por supermercados, restaurantes e casas de embutidos com diferenciais. Por não ter marmoreio (gordura entremeada entre as fibras), a carne de búfalo destinada para grelha e churrasco vem de animais abatidos jovens — no máximo 24 meses. Acima dessa idade, são preparados em panela (sem resíduo de gordura) ou usados para hambúrguer.

Outro diferencial das raças bubalinas em comparação com bovinos é a rusticidade, que aumenta a resistência a parasitas. Isso faz com que a criação exija menos medicamentos, como antibióticos, preocupação crescente entre os consumidores.

Os búfalos são animais domésticos da família dos bovídeos (a mesma dos bovinos), de origem asiática e o rebanho no Rio Grande do Sul, de 70 mil cabeças (raça murrah e mediterrâneo), é muito menor do que o bovino, que soma 13 milhões de animais. No Estado, aproximadamente 900 propriedades criam bubalinos para produção de carne e apenas três para produção de leite e 30 frigoríficos e abatedouros estão autorizados a produzir carne de bubalinos no RS.

No país, somam 1,8 milhão de cabeças, considerados de duplo propósito, já que produzem carne e leite (com maior teor de gordura comparado com vaca), dando origem principalmente à mussarela de búfala. As maiores criações estão concentradas no Norte pela maior adaptação climática, chamando a atenção seu uso como patrulhamento policial, principalmente na Ilha do Marajó e Amazônia.

A população mundial de búfalos é de aproximadamente 201 milhões de cabeças, sendo que 96% encontram-se na Ásia, principalmente na Índia, com 112 milhões de cabeças, tendo grande participação no cultivo de arroz.

* Texto escrito por Ricardo César Warken, Engenheiro Agrônomo.

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