6 de maio de 2019

José Celso Warken, de Não-Me-Toque para o mundo

Deixar Não-Me-Toque foi para José Celso Warken uma necessidade que acabou tornando-se a solução para a sua vida.  Aos 24 anos Celso saiu da cidade rumo à Alemanha para tentar uma nova vida. O filho de Aloysio e Rosa Bárbara Warken arriscou-se pelo mundo e hoje aproveita os frutos da sua escolha.

Quando morava em Não-Me-Toque, Celso trabalhava como marceneiro em uma empresa de esquadrias. Cerrar madeira era seu ofício diário, só que devido à poeira desse trabalho ele acabou desenvolvendo um problema respiratório, obrigando-o a largar o emprego e procurar algo novo. Mas naquela época não haviam muitas oportunidades de trabalho na cidade, foi então que ele recebeu o convite para ir trabalhar na Alemanha. “Tinha um alemão na cidade e um dia ele foi até a minha casa e disse que estava procurando alguém para ir trabalhar na Alemanha em uma fábrica de suco. Eu mais que depressa disse que queria ir, porque naquela época não podia existir oportunidade melhor para mim, já que lá eu teria onde trabalhar e morar”, lembra.

Celso fez as malas e partiu rumo à Alemanha junto com mais dois brasileiros, deixando para trás seus pais, irmãos e amigos. Foram 17 dias viajando de navio até chegar na França, de lá eles iriam seguir de trem até a Alemanha e então começariam uma nova vida. Foi ali que começaram os problemas, Celso não tinha visto para entrar na Alemanha, então quando chegou na divisa dos dois países foi apreendido pela fiscalização. “Quando chegamos na fronteira entre França e Alemanha, a fiscalização pediu o visto e nós não tínhamos. Então eles nos mandaram descer do trem com nossas malas e ir para o escritório. Quando chegamos na sala vimos que o nosso trem estava partindo e a gente tinha ficado. Nisso, o fiscal pegou nosso passaporte e colocou um carimbo de rejeitados, afirmando que deveríamos ser mandados de volta. E ficamos ali, estávamos sem dinheiro e não sabíamos para onde ir. Na primeira noite dormimos na estação ferroviária e na segunda fomos expulsos e tivemos que dormir na rua”, conta Celso.

Aconselhados pela fiscalização, os três brasileiros foram buscar ajuda no consulado brasileiro, onde receberam acolhimento e o auxílio necessário para conseguir o visto. Celso ficou uma semana na França até conseguir a autorização para entrar na Alemanha.

Com o visto na mão, Celso entrou na Alemanha e começou a sua vida. Por um ano trabalhou na fábrica de suco, mas lá ele não ganhava muito bem e também tinha o desejo de buscar algo a mais. Então conseguiu trabalho em outra empresa, como afiador de ferramentas, nesse novo emprego ficou por três anos. Até que surgiu a oportunidade de trabalhar e morar em Munique, onde está até hoje e também é o local onde conheceu a sua esposa, Christel Warken, que já havia morado no Brasil. “Fiquei três anos nessa empresa em Munique. Depois trabalhei um tempo na prefeitura, no mercado público e depois fui para uma firma que realizava trabalho terceirizado para a ferrovia alemã, lá fiquei sete anos trabalhando como motorista, até que meu chefe se aposentou e eu assumi a administração da transportadora. Trabalhei até 1992, quando a empresa foi privatizada e decidi que não iria mais trabalhar. Ainda faltavam 12 anos para me aposentar, mas eu tinha feito minhas economias e já podia parar e aproveitar mais a vida”, afirma Celso.

Hoje, com 78 anos, Celso vê que a cidade de Não-Me-Toque melhorou muito, prosperou e se tornou um bom lugar para se morar. Ele afirma que se fosse assim naquela época, talvez nunca tivesse deixado a sua cidade natal. Apesar do carinho que tem pela sua terra, Celso não pretende voltar a morar no Brasil. “Eu não quero mais morar no Brasil por causa da segurança. Aqui as pessoas vivem com medo de sair na rua e essa não é a vida que eu quero para mim. Na Alemanha eu posso andar à noite na rua de bicicleta e não preciso ter medo e aqui eu sei que não poderei fazer isso.” Celso e sua esposa Christel gostam muito de viajar e já tiveram a oportunidade de conhecer muitos lugares do mundo, mas como possuem sua família e muitos amigos aqui no Brasil, todos os anos eles voltam para seu país, para visitá-los e matar a saudade da sua terra natal.

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