2 de julho de 2019

Kátia Fernanda Gobbi, uma pesquisadora que encontrou a realização no seu trabalho

A experiência de sair de casa e morar em outra cidade, apesar de desafiadora, é transformadora. Quando você precisa viver sozinho, longe da sua família e dos seus amigos é que aprende a dar valor às amizades, à família e às coisas mais simples. Buscar um sonho, às vezes, exige que você vá embora sem olhar para trás. Kátia Fernanda Gobbi sabe bem disso, aos 18 anos ela deixou Não-Me-Toque e foi em busca do sonho de fazer faculdade.

Kátia foi criada no interior de Não-Me-Toque, na comunidade de São Roque. Filha dos agricultores Lonito e Orilde Gobbi, ela e seus irmãos, Fábio e Ronaldo, tiveram uma infância feliz e sempre valorizaram muito a família. Com 16 anos Kátia saiu da casa dos pais para morar com seus primos na cidade e concluir o segundo grau. “Em 1996, após concluir o segundo grau, recebi um convite dos meus tios Elaine e Ivan Schuster para morar com eles em Viçosa, Minas Gerais, e fazer o vestibular na Universidade Federal de Viçosa. Na época meu tio estava fazendo o curso de mestrado em Agronomia na mesma Universidade. Como sempre tive o sonho de estudar, mas eu e minha família não tínhamos condições de pagar uma faculdade, aceitei o convite e me mudei para Minas Gerais.”

No início foi um pouco difícil, pois foi uma grande mudança de cultura, clima e estilo de vida, mas Kátia se adaptou bem à nova cidade e à nova vida. Prestou vestibular para zootecnia e foi aprovada na Universidade Federal de Viçosa, uma instituição que é referência nacional nos cursos de Ciências Agrárias. Para a pesquisadora, o maior desafio nessa fase da vida foi estar longe de sua família. “Meus tios sempre me ajudaram muito e nossa convivência era ótima. Sou eternamente grata a eles pela oportunidade de poder estudar. Contudo, sempre senti falta de ver meus pais e meus irmãos com mais frequência. No período de 12 anos que morei em Viçosa, visitava meus pais apenas uma vez por ano e nos primeiros anos falava com eles por telefone raramente, pois não tinham telefone no interior. A falta de dinheiro também foi um grande desafio. Nos primeiros anos recebi ajuda dos meus pais e de outros familiares. No segundo ano da graduação fui selecionada para uma bolsa de Iniciação Científica do CNPq e com isso consegui me manter até o final do curso, trabalhando como estagiária do Laboratório de Nutrição Animal e acompanhando experimentos de campo no Departamento de Zootecnia.”

Quando terminou a graduação Kátia fez mestrado e doutorado em Zootecnia. Mas ela ainda alimentava um sonho de criança. Desde pequena, Kátia queria ser cientista, por isso, após concluir o doutorado, prestou concurso para o cargo de Pesquisadora no Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) e passou. Chegou então a hora de deixar Viçosa para trás e em 2008 começar uma nova vida na cidade de Paranavaí, Paraná, onde mora até hoje. Atualmente Kátia realiza pesquisa na Área de Produção e Nutrição Animal do IAPAR, atuando nas áreas de forragicultura e pastagens, bovinocultura de corte e integração lavoura-pecuária. Para ela, trabalhar com pesquisa agropecuária é muito gratificante, pois relembra suas raízes já que ela nasceu em uma família de agricultores.

Apesar dos desafios e das incertezas, hoje Kátia olha para trás com orgulho da sua trajetória, pois ela conquistou seus objetivos e sente-se realizada em poder trabalhar no que gosta e ter condições de poder viajar e ver sua família com mais frequência. De Não-Me-Toque ela leva a saudade e o orgulho de ser filha dessa terra.

Kátia foi mais uma não-me-toquense que saiu da sua cidade, enfrentou os desafios de viver longe e teve coragem, tudo em nome de um sonho.  Ela acredita que sempre vale tentar e se arriscar quando se tem um objetivo, principalmente pelos aprendizados vividos. “Viver longe da cidade natal nos ensina a dar mais valor para as pessoas que gostamos e para aquilo que conquistamos. Aprendemos a nos virar sozinhos, ser mais confiantes e menos preconceituosos com o que não conhecemos. E voltar pra casa vai ser sempre bom, pois o que deixamos pra trás sempre fará parte de nós.”

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