7 de janeiro de 2020

O que esperar de 2020?

Quando 2019 começou, empresários e até mesmo consumidores mostravam otimismo. Desde os primeiros dias do novo governo o discurso econômico fortemente liberal transmitiu expectativas positivas em relação a uma retomada mais substantiva do crescimento. O ano ficou marcado pela sequente queda da taxa básica de juros (Selic), pelos recordes de pontos da bolsa e pelo aumento do número de investidores no Brasil.

Nesse cenário, muitas pessoas devem estar se perguntando: onde investir em 2020? Antes de descobrir, é necessário avaliar e entender os cenários econômicos. Todos os anos, é solicitado aos economistas fazerem seus prognósticos para a economia brasileira e, verdade seja dita, nos últimos cinco anos as apostas mais otimistas têm se frustrado de forma recorrente. A respeito desse histórico, há razões concretas para uma visão mais positiva para 2020, particularmente quando contrastada ao desalentador desempenho da economia desde 2014.

No cenário externo o céu não é necessariamente de brigadeiro, mas também não parece prejudicial. A economia mundial deve expandir aproximadamente 3.4% em 2020, de acordo com o FMI, um pouco acima do estimado para 2019 e ligeiramente abaixo de sua média dos últimos seis anos. Enquanto isso, ante as preocupações desinflacionárias nas economias desenvolvidas, seus respectivos bancos centrais devem manter suas taxas de juros básicas em níveis extremamente baixos.  Portanto, o mix de crescimento mediano e condições financeiras extremamente favoráveis devem prevalecer no ano entrante.

Há, certamente, nuvens no céu na esfera global. Em particular, os EUA e China ainda procuram uma solução de curto-prazo para seu conflito comercial e, mesmo que prevaleça a visão de que um acordo deve ocorrer no futuro próximo, é um risco a se monitorar. Além disso, a eleição presidencial americana, em um cenário potencialmente polarizado, também merece atenção especial. Por fim, alguns dos nossos vizinhos agora aparecem como fonte relevante de risco e outro pico de incerteza política advinda daí pode contaminar as condições financeiras no Brasil.

A respeito do pano de fundo mundial, o jogo deve ser jogado mesmo é no campo doméstico. Passadas as incertezas relativas à reforma da previdência e prevalecendo as condições financeiras extremamente benignas do mercado local, há espaço para a economia brasileira quebrar um ciclo vicioso de baixo crescimento e de alta incerteza política. Afinal, nada melhor do que um ambiente econômico mais promissor para apaziguar as disputas políticas e detonar um ciclo vicioso para 2020 e além.

Dito isso, não há de se baixar a guarda, pois cautela não machuca ninguém e protege o bolso. Nessa toada, a dinâmica em Brasília continua a inspirar cuidados, pois o inusitado parlamentarista-presidencialista que o país experimenta é, por definição, uma experiência e, de fato, baseada mais em atores políticos – com todas suas imperfeições – do que em instituições político-partidárias que garantam a robustez a choques de natureza pessoal.

Em suma, há de prevalecer as tendências descritas anteriormente sobre riscos, a economia brasileira é capaz de crescer em torno de 2.5% em 2020 e, mais importante, com a perspectiva de apresentar taxas similares mais além do próximo ano. Se confirmado esse prognóstico, o PIB terminará o ano que vem ainda 2.5% abaixo do seu pico histórico, o que é certamente frustrante para toda uma geração de brasileiros, mas mais promissor para os que olham para futuro.

De fato, para fins de investimentos, vale mais a perspectiva futura do que a fotografia do momento, o caminho que se coloca a economia brasileira tem o potencial de apresentar boas oportunidades àqueles que miram os ativos locais. Seja na renda fixa ou na variável, o essencial é se informar sobre os diferentes produtos que existem, buscando aproveitar as oportunidades com uma rentabilidade cada vez maior. Conte com a assessoria da nossa equipe para planejar suas aplicações.

Deixe seu comentário
WhatsApp chat