28 de janeiro de 2020

O tratamento psiquiátrico

A psiquiatria é uma das áreas médicas que mais crescem na atualidade, bem como as doenças psiquiátricas. Segundo a ONU, no ano de 2030, a depressão deverá se tornar a causa mais comum de doença no mundo, ultrapassando outras doenças, como câncer e problemas cardíacos. Nos dias de hoje, depressão já é um problema sério, sendo a doença mais incapacitante.

Mas não é somente a depressão: ansiedade também é conhecida por muitos como o “mal do século”. Ou seja, ninguém, nos dias de hoje, está livre de precisar de um tratamento psíquico. É algo comum, e como qualquer outra doença, precisa ser tratada adequadamente.

Ir ao psiquiatra não é, de forma alguma, “coisa de louco”, ou necessidade de “chamar a atenção”. Pelo contrário, exige conhecimento e clareza, além de uma boa aceitação em buscar ajuda e qualidade de vida.

Antigamente e ainda, infelizmente, nos dias de hoje, o que vemos é um preconceito quanto à doença mental. Nos tempos antigos não existiam medicamentos tão específicos e também tantos estudos na área como temos hoje. O que ocorria é que as doenças existiam, porém não eram diagnosticadas ou adequadamente tratadas, e isso acabava por piorar o caso e muitas vezes evoluíam para a “loucura”, ou seja, por falta de um tratamento adequado, as doenças acabavam evoluindo para surtos psicóticos e comportamentos inadequados devido à cronicidade do quadro.

Na psiquiatria, o que temos nos dias de hoje são excelentes medicamentos, com pouquíssimos efeitos colaterais e ótimos resultados, com frequente sucesso terapêutico e retorno à vida normal dos pacientes. Assim, quase não vemos mais quadros de “loucura”, mas sim pacientes com sofrimento emocional que causam prejuízos na vida em geral. Buscar o tratamento do psiquiatra, na grande maioria das vezes, não é “estar louco”. Pelo contrário, é ser receptivo à melhora e aceitar que sozinho não se consegue ficar bem.

Por vários motivos as pessoas podem se tratar com um médico (a) psiquiatra, pois são numerosos os quadros de patologias, mas basicamente a ajuda precisa ser buscada quando se percebe um sofrimento emocional que se estende com o tempo. Os quadros mais comuns são ansiosos e depressivos, porém, pode haver quadros de  bipolaridade, dificuldades no comportamento, no aprendizado, na socialização, problemas com dependência química, conflitos familiares e laborais, insônia, transtornos do impulso, transtornos alimentares. Enfim, cada pessoa é única e a forma de apresentar os sintomas, também cabe ao profissional fazer uma avaliação detalhada e escolher a melhor forma de tratamento.

O que ocorre nas doenças psíquicas, falando de uma forma mais abrangente, são alterações neuroquímicas, estas comprovadas cientificamente, onde existe uma diminuição de neurotransmissores entre os neurônios, os quais são necessários para um ideal funcionamento emocional e comportamental. Juntamente com essa alteração química, que geralmente são herdadas geneticamente, ou seja, é muito comum vermos outros casos na família, se somam à forma e ao ambiente no qual somos criados e onde desenvolvemos nossas crenças e personalidade.

Assim, geralmente o tratamento inclui algum tipo de medicação e muitas vezes uma psicoterapia associada potencializa a melhora emocional. Não é incomum o tratamento associado com um profissional da psicologia ou mesmo um tratamento psicoterápico realizado pelo psiquiatra.

O tratamento varia muito conforme o quadro, e por muitas vezes somente uma ou duas medicações são necessárias. As medicações são seguras e dificilmente causam dependência ou algum tipo de sedação ou anestesiamento dos sentimentos, isto é um mito muito comum. As pessoas que usam medicações psiquiátricas, como os antidepressivos, não deixam de ser quem elas são, continuam com a sua essência. O que as medicações fazem é ajudar a ter uma melhor visão do mundo e de si mesmo, que pela doença estava distorcida e irreal. O tempo de tratamento é muito variável para cada um, é como tomar medicação para qualquer outra doença.

Precisar de um medicamento psiquiátrico não faz das pessoas alguém mais fraco, pelo contrário, pedir ajuda quando não se está bem é algo evoluído e saudável. Também é importante não esperar que o problema se agrave para buscar auxílio.

Enfim, estar de bem consigo mesmo e com o mundo, isto, no final é o que importa!

*Texto escrito pela médica psiquiatra, especialista em terapia cognitivo comportamental, Mirian Pezzini.

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