10 de junho de 2019

Ovo nosso de cada dia

Ingrediente com presença garantida no prato do brasileiro, o ovo é considerado um dos alimentos mais completos para a dieta humana. Excelente fonte de proteína, com preço acessível a todos, ele tem quase todos os nutrientes que o corpo necessita. Além disso, apresenta vitaminas essenciais, minerais, gorduras saudáveis, antioxidantes, todos os aminoácidos fundamentais ao bom funcionamento do organismo, com apenas 70 calorias por unidade.

Como você escolhe os ovos na feira ou supermercado? Pela cor, (branco ou vermelho)? Pelo tipo (caipira, convencional, orgânico)? Embora essas sejam as características mais conhecidas dos consumidores, há outra que começa a ganhar espaço neste mercado: ovo de galinhas livres de gaiola.

O produto é resultado de galinhas criadas soltas, sem as habituais grades usadas no sistema intensivo de produção, onde o principal ganho é o bem-estar do animal. Soltas, as galinhas conseguem manifestar comportamentos naturais como: ciscar, alimentar-se de insetos e capim, bater asas, espichar-se, tomar banho de areia e colocar o ovo onde quiser.

Por conta desse cuidado, de permitir que as galinhas manifestem comportamentos mais próximos do natural, a produtividade dos animais é mais baixa, o que leva o preço desse tipo de ovo a ser um pouco mais alto que do ovo convencional.

O movimento de criação de galinhas poedeiras soltas ganhou força a partir de 2016, com pressão para as granjas abandonarem as gaiolas, pois os consumidores, mais exigentes, passaram a questionar a ética da criação dos animais, levando os avicultores a buscarem alternativas, com mais espaço e poleiros.

Nos últimos anos, grandes redes de supermercados e restaurantes passaram a exigir de seus fornecedores o compromisso com adoção de boas práticas de produção.

No Rio Grande do Sul, são produzidos cerca de 3,2 bilhões de ovos por ano, e destes 3 a 5% resultam de criações de aves livres. Um dos limitadores para o crescimento, tanto em produção quanto consumo é o custo, já que exige mais investimento do que o convencional. Para a Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), o aumento de consumo do “ovo livre de gaiola” é um movimento mundial de consumidores e organizações não governamentais, principalmente na Europa, sendo que o preço pode ter um preço final de até 40% superior quando comparado ao convencional.

Principais diferenças:

  • As galinhas livres de gaiolas são criadas soltas, em galpão e ao ar livre, e se alimentam principalmente de pasto. No sistema convencional de produção, as aves ficam em gaiolas dentro de galpões, alimentadas com ração;
  • A cor da casca do ovo, branca ou vermelha, é determinada pela raça;
  • O tipo de criação interfere na coloração da gema e na consistência da clara;
  • Quando os ovos são de galinhas livres, normalmente há indicação na embalagem. Não há selo ou certificação específica;
  • Em ambos sistemas de produção são necessários cuidados de biosseguridade.

Se no passado os médicos e os especialistas já trataram o ovo como um vilão da saúde, hoje ele é o queridinho não só dos profissionais da saúde, mas também dos que cultivam a boa forma física. Por proporcionar saciedade e ter proteínas de alta qualidade, a clara passou a ser bastante consumida pelo público que frequenta as academias de ginástica e que pratica esportes, por exemplo.

Apesar de conter bastante colesterol, a gema também foi redimida. Estudos científicos mostram que são as gorduras saturadas, e não o colesterol, as maiores responsáveis pelo aparecimento de doenças cardiovasculares. Pesquisas recentes também revelaram que a quantidade ingerida do bom colesterol, presente no ovo, em nada interfere neste processo. Ou seja, vale o bom-senso: consuma moderadamente.

 

*Texto escrito pelo engenheiro agrônomo, Ricardo César Warken

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