13 de dezembro de 2018

Pílula anticoncepcional, vilã ou mocinha?

A pílula anticoncepcional foi criada em 1960 e se tornou um grande marco na revolução feminina. Desde então, milhões de mulheres do mundo inteiro fazem o uso diário deste contraceptivo e conquistaram o direito de controlar seu próprio corpo. Como tudo no mundo, com o passar dos anos as pílulas também evoluíram, as dosagens de hormônios diminuíram, os efeitos colaterais também e se trabalhou muito para que essa medicação se tornasse o menos invasiva possível. No entanto, apesar de sua popularidade, o anticoncepcional é sim um medicamento e como tal se fazem necessários alguns cuidados na sua administração e indicação adequada.

Atualmente, vive-se um momento em que as pílulas anticoncepcionais voltaram a ser alvos de grandes polêmicas, desta vez não por motivos religiosos, patriarcais ou sociais, mas por uma questão de saúde. Circulam muitos depoimentos, principalmente pela internet, de mulheres que declaram ter desenvolvido trombose venosa por usarem anticoncepcionais. Isso tem gerado dúvidas, questionamentos e até certo receio nas mulheres que desejam usar o contraceptivo, mas que não querem colocar a saúde em risco.

A médica ginecologista Ana Paula Tesser Wallauer explica que a pílula anticoncepcional não causa trombose ou doenças vasculares. “O que pode acontecer é que se a pessoa é predisposta a ter doenças vasculares e circulatórias, a pílula anticoncepcional pode ajudar a desenvolver o problema. Isso só vai acontecer se o paciente tiver predisposição familiar e genética”, explica a médica.

Ana Paula fala ainda que o índice para desenvolver tromboses e trombofilias e distúrbios vasculares é muito maior em mulheres grávidas do que em mulheres que fazem o uso do anticoncepcional. A médica apresenta um exemplo bem simples: “Se colocar 10.000 mulheres em um estádio de futebol, 30 delas teriam tromboembolismo por estarem grávidas, nove desenvolveriam a doença se utilizassem pílula e cinco teriam o problema, mesmo não estando grávidas nem utilizando pílula”. Esse exemplo ajuda a entender que a média de pacientes que desenvolve doenças venosas por usar anticoncepcional é muito baixa, isso porque a pílula não causa o problema, ele pode ser um fator contribuinte caso a pessoa já tenha alguma predisposição.

Por isso, é de extrema importância que qualquer método contraceptivo seja receitado por especialista que saberá qual será o indicado para cada paciente e qual a melhor dosagem hormonal. Pílulas anticoncepcionais são medicamentos e precisam de uma prescrição médica e acompanhamento contínuo, não pode ser usado de qualquer maneira e sem uma indicação especializada.

É inegável que os anticoncepcionais fazem parte da vida da maioria das mulheres e também é sabido que cada corpo é único e cada organismo reage de uma maneira diferente. Generalizar riscos, consequências e vantagens de um medicamento beira a irresponsabilidade. Tudo vai depender do histórico de cada paciente, bem como o modo como seu corpo irá reagir. Cada vez mais as pílulas têm se mostrado eficientes não apenas para evitar a gravidez, mas também no tratamento dermatológico, para as dores menstruais, para evitar a formação de cistos, além de ajudar a diminuir os índices de câncer de endométrio, de ovário e controlar os sangramentos. O que a paciente precisa fazer é ser cautelosa, minuciosa, regrada e conversar bem com o seu ginecologista para escolher qual é o melhor método contraceptivo indicado para ela.

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