2 de setembro de 2020

Planejamento Sucessório

O tema sucessão nos negócios familiares rurais é um assunto que tem sido debatido insistentemente nos últimos anos por diversas instituições. Nosso objetivo é orientar os produtores e suas famílias quanto às dificuldades em lidar com o assunto sucessão, apresentando os pontos que devem ser entendidos e discutidos para a construção de um processo tranquilo e exitoso.

Todo patrimônio tem herdeiros, mas poucos têm sucessores. Compreender a distinção sobre esses conceitos é o primeiro passo para o êxito de um programa de sucessão. Juridicamente o termo herdeiro (a) se refere àquele que sucede na totalidade ou em parte da herança, seja por força de lei, seja por disposição de testamento, é a pessoa para a qual será transmitida a propriedade de bens ou direitos. No entanto, para a administração, sucessor (a) é aquele que sucede a outrem ou que o substitui em cargos, funções. Portanto, a condição de herdeiro (a) é um fato, algo determinado por aspectos legais tornando-se uma condição. Quanto ao sucessor (a), sua determinação está em volta de uma decisão, de uma escolha, e se concretiza com um processo de desenvolvimento, de formação e profissionalização. Para um sucessor, muito mais do que receber um patrimônio, o que importa é receber um legado de conhecimento, valores e princípios empresariais.

São situações diversas, que devem ser tratadas de forma distinta, apesar de comumente estarem relacionadas a uma mesma pessoa. É comum que os pais, também chamados fundadores, por terem instituído as bases do negócio atual, idealizem que seus herdeiros, ou um deles, sejam seus sucessores. O que precisa ser entendido é que por trás dessa decisão existe uma escolha por parte dos herdeiros em relação ao seu futuro, quanto ao que desejam na vida.

Temos notado que os fatores ligados à relação entre pais e filhos têm grande influência no processo de sucessão familiar, especialmente na construção do desejo dos filhos de permanecerem no negócio da família. Uma família unida, que compartilha dos mesmos objetivos, tende a criar um ambiente de maior cooperação e consequentemente terá maior facilidade no processo sucessório. O principal ponto é construir um ambiente de comunicação aberta, com transparência sobre o negócio, suas dificuldades e suas potencialidades. Permitir a participação dos filhos nas decisões, construindo desde cedo a vontade de participar das atividades certamente facilitará a decisão dos filhos de permanecer no meio rural.

Os jovens têm preocupações com a geração de renda, com a dimensão da sua participação nas decisões, com a disponibilidade de tempo para participarem da vida social. Esses pontos devem ser discutidos com os pais para que esses e outros anseios não se transformem em frustração.

Já do lado dos pais um ponto importante é o respeito, especialmente da sua história de vida, cabendo aos filhos demonstrar esse respeito, valorizando as conquistas dos fundadores. É importante que os pais participem do processo de qualificação, dedicando aos filhos tempo na construção dos seus conhecimentos, permitindo que vivenciem experiências relacionadas aos negócios da família com acompanhamento e supervisão. Demonstrar afetividade e reconhecimento são pontos importantes para qualquer geração. A boa comunicação continua sendo a melhor ferramenta para estabelecer uma relação positiva entre as gerações.

Muitos pontos merecem discussão quando tratamos do assunto sucessão, porém o ideal é encontrarmos disposição e criarmos um ambiente positivo no meio familiar para conversarmos sobre o assunto. Aproveite a leitura desse artigo e inicie uma discussão com seus familiares, quem sabe essas poucas palavras possam ser o incentivo para uma conversa que há tempos você deseja ter com seus sócios e familiares.

 *Texto escrito por Flávio Cazarolli, Engenheiro Agrônomo e Diretor da Foco Rural

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