25 de janeiro de 2019

Psicóloga Juliane Strapasson fala sobre relacionamento abusivo

É importante entendermos que uma relação pode ser considerada abusiva quando predomina o excesso de poder sobre o outro. Nessas relações geralmente o parceiro infere o “desejo” de controlar a parceira, ou “tê-la para si”, com atitudes de controle sobre as decisões e ações. Por exemplo, isolar a parceira das atividades profissionais, ou, até mesmo do convívio com amigos e familiares, ser violento verbalmente com ofensas e desprezos e até mesmo agredir fisicamente. Sendo que, geralmente, tais movimentos iniciam de um modo sútil e aos poucos vão ultrapassando os limites causando sofrimento e mal estar.

Algumas pessoas acreditam que quem está em um relacionamento assim, “está porque quer”, e muitas pessoas questionam as atitudes que não foram tomadas pela vítima. “Por que não se separou?” e “por que não fez a denúncia?” afinal, por que alguém permaneceria em um relacionamento em que há sofrimento e se é humilhada?

Na verdade, muitas mulheres não conseguem sair dessa situação, pois as condições dos relacionamentos abusivos e os efeitos da violência psicológica são obstáculos muito duros. Para uma mulher que escuta constantemente que não tem valor, que é xingada, que tem sua aparência física debochada e suas capacidades intelectuais menosprezadas, pode ser muito difícil compreender que a situação da violência não é parte da vida e não deve ser aceita.

É muito comum que mulheres que sofrem agressões de seus parceiros, não se sintam capazes de sair do relacionamento e nem consigam enxergar uma vida possível a partir da separação. Por mais que terceiros apontem as alternativas, por possuírem a autoestima fragilizada e uma visão de si mesma desvalorizada, essas mulheres não encontram forças necessárias para realizar movimentos de mudanças. Dessa forma, é importante considerarmos que não basta apenas motiva-la a mudar ou sair de um relacionamento abusivo. Na hora de tomar uma decisão, muitos fatores estão presentes para dificultar a libertação da mulher agredida, sendo que, se ela não estiver estruturada emocionalmente para enfrentar mudanças, ela tenderá a manter-se em tal situação ou até mesmo não sustentar a decisão de mudança já realizada.

Portanto, pessoas que não conseguem desvincular-se de relacionamentos abusivos precisam de ajuda. É necessário buscar o autoconhecimento a fim de resgatar e ressignificar sua autoimagem e principalmente sua autoestima.

 

Matéria escrita por Juliane Strapasson

Psicóloga

CRP 07 17388

Especialista em psicologia da saúde |

Dinâmica de grupos | Avaliação psicológica | Credenciamento da Polícia Federal

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