20 de agosto de 2020

Quais os reflexos da pandemia nas empresas?

A pandemia mudou tudo em nossa vida. A forma como nos relacionamos com as pessoas, nossos hábitos de higiene, nossos rotinas, nossa forma de consumir e até mesmo o modo como trabalhamos. Talvez seja este último o que mais tenha gerado impacto na sociedade como um todo. A formar de trabalhar mudou, as empresas precisaram se reinventar, ter novas ideias, reduzir custos e melhorar seu trabalho. Aqui em Não-Me-Toque, o comércio local já sofreu grandes impactos com o fechamento completo e por isso muitas empresas tiveram que repensar suas formas de trabalho e seu atendimento ao público.

Seja com atendimento on-line, criação de aplicativos ou tele-entrega, o comércio inventou um novo jeito de seguir funcionando. Segundo o presidente da Associação Comercial, industrial, agropecuária e de serviços de Não-Me-Toque, Acint, Marcos Petry, apesar do início turbulento, hoje as empresa já conseguiram se adaptar as novas medidas e se reestruturarem. “No início o comércio teve bastante dificuldade para se adaptar, pois não sabia quais normas deveria seguir. Mas hoje, com certeza, o comércio já se adaptou as mudanças e as novas formas de trabalho. A pandemia tem prejudicado bastante as vendas, mas em termos de medidas de controle do covid-19 as empresas estão de parabéns.”

Algumas medidas acabaram impactando diretamente no faturamento das empresas, o que levou a demissões, redução de jornada de trabalho e corte de gasto. Para auxiliar essas empresas, a Acint criou algumas medidas de incentivo como o Cartão Convênio da Acint que dá desconto para compras em lojas associadas, e também lançará a campanha do Natal Premiado. Além disso, a associação também fez parceria com a Sicredi para financiamentos com juros menores para os empresários. “A associação comercial está desde o início batalhando para que o comércio permaneça aberto. Temos um futuro incerto, mas a associação comercial está buscando várias alternativas”, afirma Marcos.

Mas a pandemia não trouxe apenas coisas ruins, ela também serviu como um incentivo para as empresas se reinventarem e inovarem em seus negócios. Na visão do presidente da Acint, o futuro ainda é muito duvidoso, mas com certeza muitas empresas vão precisar repensar seus negócios. “O empresário precisa analisar suas finanças, achar uma forma de obter um capital de giro e fazer uma gestão mais aprofundada dos seus estabelecimentos e do seu comércio. Acredito que a pandemia também veio para nos ensinar e tem muitas empresas e pessoas que estão aprendendo com ela. A gente espera que no futuro as pessoas possam trabalhar de uma forma mais tranquila e segura”, explica Marcos.

Criar alternativas para continuar trabalhando       

Quando o comércio fechou as portas muitas empresas precisaram criar algumas alternativas para continuar vendendo seus produtos.  Uma dessas empresas foi a Chiquinho Sorvetes, que tinha inaugurado na cidade fazia 42 dias e teve que fechar suas portas. “Quando todo o comércio foi fechado, sem muitas especificações do que poderia ficar aberto ou não, nós também fechamos. Nesse fechamento tivemos grandes perdas de produtos perecíveis, além de ter que realizar algumas demissões e adotar as medidas de manutenção de emprego oferecidas pelo governo”, conta a franqueada da Chiquinho Sorvetes, Deisi Arocena Rodrigues.

Para reverter essa situação, a Chiquinho Sorvetes decidiu apostar num delivery de seus produtos. Assim os clientes podem fazer o pedido pelo Whatsapp e receber o seu Chiquinho em casa. Para fazer isso a empresa precisou realizar alguns testes para garantir que o produto chegasse até o cliente com a mesma qualidade e estética de como se fosse retirado no balcão. “Foi um desafio muito grande a implantação da tele-entrega, pois tínhamos dúvidas quanto a integridade do produto. Então fizemos alguns testes no começo para saber como poderíamos operar, desde o recebimento do pedido via Whatsapp, passando pela produção, depois orientando o entregador de quanto tempo ele precisa estar na loja e sair com esse produto.”, explica Deisi.

Apesar de a iniciativa ter sido boa, a Chiquinho Sorvetes de Não-Me-Toque vai aguardar a decisão da rede sobre a manutenção do delivery após a pandemia. Mas, mesmo assim a Chiquinho Sorvetes já conseguiu fidelizar seus clientes. “Percebemos que as pessoas gostam do produto, do ambiente e do atendimento da loja. Isso fez com que conseguíssemos fidelizar muitos clientes mesmo em meio à crise.”

Investir na criação de conteúdo para atrair clientes

A produção de conteúdo em redes sociais já era uma tendência muito antes da pandemia, mas após o seu surgimento esse conceito se intensificou ainda mais e as empresas começaram a apostar alto nessa alternativa. Um exemplo disso é a loja Adorata, sua proprietária, Veronica Philippsen, tem investido muito nas redes sociais para aproximar o cliente da sua loja. “Aqui na loja nós estamos trabalhando bem mais, produzindo mais conteúdo e isso resultou em um crescimento para a loja, pois os clientes gostam de ver os conteúdos, vídeos e fotos. Então eu estou tentando me especializar nessa área de marketing digital para fazer um trabalho bem instigante para o cliente.”

Além disso, a empresa também tem realizado tele-entrega de produtos, não apenas em Não-Me-Toque, mas também em cidades vizinhas como Carazinho, Tapera, Selbach e Victor Graeff, locais que Verônica faz entregas semanais. “Eu já vinha trabalhando desta forma, porque muitos clientes optam pela comodidade, principalmente em relação a presentes, nós ajudamos o cliente a escolher e fizemos a entrega, uma facilidade para o cliente que não precisa nem sair de casa ou até mesmo do trabalho para presentear quem ama!”

Tanto o investimento em produção de conteúdo e marketing digital como a tele-entrega tem trazido resultados muito positivo para Adorata, que nos meses de maio e junho teve um faturamento maior que no mesmo período do ano passado.

Para Veronica a pandemia veio ao encontro de tirar as pessoas de sua zona de conforto. “Sempre procuro ver o lado bom de todas as situações e com a pandemia não foi diferente, por isso acredito que ela veio para, nós empresários, sairmos do comodismo e nos dedicarmos ainda mais ao nosso trabalho. Não podemos ficar de braços cruzados dentro do estabelecimento físico esperando o cliente chegar. Eu sempre busco ir até o cliente e entender sua necessidade, e isso fez com que tivéssemos bons resultados.”

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