8 de janeiro de 2020

Se ligue nas moléstias da soja!

A soja é uma cultura de grande importância para o Brasil. Em 2018, o grão foi o produto com maior valor bruto da produção, VBP, atingindo R$ 146,9 bilhões. E aqui em nossa região é a principal cultura agrícola. Entretanto, são diversas as enfermidades que acometem e dificultam a obtenção de elevados níveis de rendimento. Aproximadamente 40 moléstias causadas por fungos, bactérias, nematoides e vírus já foram identificadas no Brasil. Todavia, em função da expansão das áreas de soja no país, esse número continua aumentando. A importância econômica de cada doença varia ano a ano e de região para região, dependendo das condições climáticas de cada safra.

Em geral, todas as doenças da soja são agressivas e imprevisíveis. Normalmente são visíveis quando já se encontram em uma fase avançada de seu ciclo, contribuindo para que as perdas se acumulem ainda mais. A seguir, conheça algumas moléstias mais severas que podem ocorrer na soja:

Ferrugem (Phakopsora pachyrhizi)

A ferrugem asiática é o principal fungo que atinge as lavouras de soja no Brasil. Presente em todo o país por ser facilmente disseminada pelo vento, seu nome vem das pequenas manchas marrons, parecidas com ferrugem, que tomam conta do verso da folha. Como sintomas na cultura, as plantas perdem as folhas precocemente, impedindo a formação completa e ideal dos grãos e comprometendo a produtividade – as perdas podem chegar a 50% da produtividade em condições ideais para o desenvolvimento da doença.

Oídio (Erysiphe diffusa)

Mais visível no começo da floração, o oídio é um parasita que ataca toda a planta e a qualquer momento do desenvolvimento da cultivar, o que pede uma solução rápida e, de preferência, aplicação fúngica preventiva. Quando presente nas folhas apresenta uma fina camada branca que, aos poucos, torna-se castanha. Apesar de existir de norte a sul do Brasil, o parasita desenvolve-se mais facilmente em climas secos e com temperaturas amenas, e pode causar, assim como a ferrugem, desfolha precoce da soja, com perdas relatadas de até 10%.

Antracnose (Colletotrichum truncatum)

Seu principal efeito é percebido na redução do rendimento (variando entre 10 e 20%), por estar estreitamente relacionada à infecção das vagens ou sob condições de infecção severa nas folhas durante o estágio de enchimento de grãos. A disseminação da antracnose ocorre a partir de sementes infectadas e restos culturais, sendo auxiliada pelo vento e chuva. A antracnose, apesar de se manifestar quando as plantas já estão crescidas, pode surgir de inóculos de cultivares anteriores e também de sementes infectadas, pedindo uma solução preventiva, ou seja, que não espere os sintomas aparecerem.

Mancha-Alvo (Corynespora cassiicola)

O fungo é encontrado em praticamente todas as regiões de cultivo de soja do Brasil e, em áreas de alto risco, as perdas chegam a 50% da produção. Essa moléstia causa lesões que se iniciam por pontuações pardas, com halo amarelado, evoluindo para grandes manchas circulares de coloração castanho claro a castanho escuro, atingindo até dois centímetros de diâmetro. Geralmente as manchas apresentam uma pontuação no centro e anéis concêntricos de coloração mais escura. Cultivares suscetíveis podem sofrer severa desfolha.

A ocorrência de moléstias em soja e sua maior severidade dependem de fatores como clima, cultivares, qualidade das sementes, potencial de inóculo de patógenos, estrutura e fertilidade do solo, vigor da planta, rotação de solo, dentre outros. Mas cabe a nós fazermos todo um planejamento para minimizarmos os danos e controlá-las da melhor maneira possível.

*Texto escrito pelo Engenheiro Agrônomo, Ricardo Warken.

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