28 de julho de 2020

Seca no verão impulsiona a semeadura de trigo

A safra 19/20 foi de perdas em várias culturas no Rio Grande do Sul devido à estiagem, na qual 408 municípios decretaram situação de emergência até 29 de junho, conforme a Defesa Civil. Com as chuvas de junho e julho, a situação das águas melhorou bastante, mas ainda não está normalizado.

De acordo com a Conab, o milho registrou queda de 31,8%, quase 2 milhões de toneladas a menos. A soja teve quebra de 43,4%, ou seja, 9 milhões de toneladas a menos, o feijão sofreu redução de 21,9%, somando 20 mil toneladas a menos. Somente o arroz aumentou a produção: a colheita de 7,8 milhões de toneladas representou um incremento de 6,5% em relação a 2019.

No inverno, quando a maioria das culturas agrícolas encontra-se em entressafra, quem reina absoluto nas lavouras é o trigo, grão fundamental para o abastecimento nacional por se transformar em farinha, largamente consumida pela população brasileira. E, naturalmente, por ser planta que se desenvolve nos meses de frio, o cereal é típico da região sul do país.

Para T&F Consultoria Agroeconômica, o Brasil tem um potencial produtivo entre 6,68 a 7,34 milhões de toneladas de trigo para a próxima safra, retornando ao patamar de 2016, que teve produção de 6,726 milhões de toneladas. No entanto, esse resultado só será obtido se o clima for favorável e corresponder às expectativas dos especialistas neste momento. Isso acontecendo, poderá ocorrer uma queda nos preços da matéria-prima. Mesmo considerando um aumento da demanda de trigo de 12,52 milhões de toneladas, segundo a Conab, para 13,0 milhões de toneladas para a próxima temporada, devido à pandemia que aumentou consideravelmente a demanda de farinhas, as importações brasileiras de trigo cairíam das atuais 7,3 milhões de toneladas para a faixa entre 6,32 milhões e 5,66 milhões de toneladas.

Em 2016, maior safra dos últimos anos, o Paraná colheu 3,4 milhões de toneladas, e o Rio Grande do Sul 2,4 milhões de toneladas.  Para este ano, conforme a EMATER/RS, o nosso estado deve plantar 916 mil ha de trigo, uma expansão de 20,3% frente a 2019 e maior patamar desde 2014, sendo esperada uma colheita de 2,19 milhões de toneladas, representando uma queda de 4,4% em relação ao ano passado. Cabe uma explicação do aumento da área versus menor produção, pois o produtor está buscando uma alternativa para equacionar a dificuldade econômica gerada pela estiagem, também sendo influenciado pelo atual patamar de preços bons, mas não significando o uso de alta tecnologia para obtenção de altos rendimentos. No entanto, esses números devem ser revistos durante o desenvolvimento da cultura, que está na fase de implantação, faltando 5 % a ser semeada.

Alto investimento em pesquisa e melhoramento resulta em cultivares cada vez mais resistentes às doenças e com alto potencial produtivo. Plantar trigo parece uma boa opção nesta safra. Preços e mercado consumidor estão aquecidos. Práticas corretas e tecnologia ajudam a aumentar o potencial da lavoura.

No mundo, a colheita costuma ficar na faixa de 250 milhões de toneladas, sendo que, como é de compreender, é um dos cereais estratégicos para alimentar a população no planeta, sendo importado principalmente da Argentina, Estados Unidos e Paraguai.

*Texto escrito pelo engenheiro agrônomo, Ricardo Warken

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