16 de junho de 2020

Somos humanos, nascemos humanos ou nos tornamos humanos?

O homem é um ser essencialmente social. Aprende a ser humano, literalmente, observando, copiando e aprendendo as formas de comportamento de outro ser humano, o qual lhe serve de molde.

Por volta de 1965, na Romênia, o partido comunista Romeno instituiu no país uma política demográfica que se provou macabra no desenrolar-se dos anos. O governo, buscando aumentar sua população, e com isto a mão-de-obra, determinou que as famílias deveriam ter o maior número possível de filhos – determinando, inclusive, um número mínimo ideal, como sendo cinco.  Puniram severamente com altíssimos impostos as famílias que desobedeceram as ordens de aumento de seus filhos. Resultado: ao passar de alguns anos, impossibilitados de sustentar seus filhos, cerca de 170mil crianças foram abandonadas em abrigos da Romênia.

Estas crianças ficaram confinadas nestes orfanatos, sem desenvolvimento afetivo, pessoal e social – e com isto sofreram danos cerebrais terríveis e irrecuperáveis. Havia naquele tempo, orientação para que as crianças fossem apenas alimentadas e que tivessem o mínimo de contato físico com seus cuidadores, imaginando-se que não sofreriam “prejuízo emociona”’ em caso de posterior adoção/separação.

Tal fato mostrou-se absoluta e irremediavelmente danoso, pois sem a inserção destas crianças em uma vida farta de contatos humanos, os mesmo sofreram prejuízos irreversíveis na fala, audição, locomoção, desenvolvimento motor e em todas as funções cognitivas decorrentes.

Hoje já se tem clareza absoluta sobre a necessidade de envolvimento afetivo, pessoal e a inserção social de uma criança para seu pleno desenvolvimento. Aprendemos “copiando” comportamentos.

O que poucos sabem, ou que não sabem como colocar em prática, é a extrema necessidade de oferecer-se às crianças experiências nas sete instâncias de desenvolvimento hábeis a explorar ao máximo suas potencialidades intelectuais, bem como desenvolver de forma estruturada sua inteligência emocional.

O que seria mais importante? Um adulto com alta capacidade cognitiva, mas sem habilidades emocionais; ou um adulto equilibrado, com altas habilidades emocionais e médias capacidades cognitivas?

A resposta é fácil e simples: a segunda opção de longe ganha em importância e resultados positivos. São as habilidades emocionais (as competências emocionais) que fazem o ser humano agir, colocar-se, escolher da melhor forma, enfrentar, superar, vencer, saber dizer sim, saber dizer não, ter coragem, empreender. Essas são apenas algumas das características das pessoas que, efetivamente, obtêm os melhores resultados na vida pessoal e profissional.

Aliás, neste período de pandemia – com fortes reclusões sociais – o grande prejuízo que se terá, ao meu ver, é a ausência de possibilidade de desenvolvimento das tão necessárias habilidades sociais: ler o outro, empatizar-se com o outro, perceber o outro, conviver com o outro, dar o melhor de si e tirar o melhor do outro.

Mas fica a pergunta e a reflexão: se você pudesse hoje ter todo o conhecimento, vivência e a prática, para entregar ao teu filho tudo que fosse necessário para a maior habilidade dele como pessoa, para que pudesse desenvolver-se intelectualmente ao máximo, e desenvolver ao máximo suas competências emocionais – prevenindo dores, dissabores e transtornos emocionais no futuro – que preço teria este conhecimento para você e seu filho?

*Texto escrito pela Master Coach de Relacionamento – Família – Emocional, Anelise de Oliveira

 

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