15 de maio de 2019

Você sabe como é produzida a azeitona?

A azeitona é o fruto da oliveira, uma árvore baixa, de troncos retorcidos que pode atingir a impressionante idade de 1.200 anos. O fruto apareceu na Ásia Menor. Seu cultivo começou provavelmente na ilha de Creta em 3.500 a.C., sendo introduzida na Península Ibérica durante o domínio árabe. Acabou encontrando solo propício em Portugal e logo foi parar na Espanha e, no início da conquista das Américas, foi cultivada por conquistadores da região da Argentina. As azeitonas argentinas, por sinal, são as que mais agradam o paladar do povo brasileiro. Não podendo ser consumida in natura por ser muito amarga, a azeitona precisa passar por um processamento antes da utilização na alimentação. Esse processamento muitas vezes é o que diferencia o sabor.

O que faz com que haja azeitonas de diferentes cores é, principalmente, seu grau de maturidade. Em princípio todas são verdes e vão arroxeando até chegar ao preto, indicando que está madura.

No dia 15 de março foi realizada a 8ª Abertura Oficial da Colheita da Oliva no RS, na propriedade de Arno Werlang (Olivais da Fonte), que possui 15 ha no Município de Formigueiro faz 13 anos, e há seis produzindo óleo e neste ano espera produzir 40 mil quilos da fruta e extrair 50 litros de azeite. O governador em exercício, Ranolfo Vieira Júnior, acompanhou a cerimônia e citou a necessidade de diversificar as culturas e destacou a coragem de quem investe, mesmo em um cenário de crise fiscal. “A colheita da oliva simboliza exatamente essa garra dos empreendedores.”

Com dez unidades agroindustriais extratoras de azeites operando no RS, a previsão para a safra de 2019 é positiva. Estima-se que será a maior colheita de todos os tempos, tanto no Estado quanto no Brasil, com produção de 1,4 milhões de quilos (produção entre 160 a 180 mil litros de azeite, representando 0,3 % do azeite consumido no país).

O custo de implantação pode variar entre R$ 10 mil a R$ 18 mil/ha, sendo que o retorno é esperado a partir do nono ano. O diferencial é que, como é uma cultura perene, após o custo de implantação ser pago, as árvores seguem produzindo por décadas, desde que seguido um manejo adequado (podas, adubação e controle de pragas e doenças).

O RS passou de 80 ha em 2005 para aproximadamente 5000 ha este ano (variando de 2 a 300 ha), estando 1000 ha em produção, e de acordo com o IBRAOLIVA, Instituto Brasileiro de Olivicultura, até 2025, o país atinja 20 mil ha. Os principais produtores são Canguçu, Pinheiro Machado, Encruzilhada do Sul, Cachoeira do Sul, Caçapava do Sul, Santana do Livramento, Bagé, Barra do Ribeiro e Sentinela do Sul.

Em média, pra cada 100 kg de azeitona, 12 % são azeite. Para ser considerado extra virgem, o produto precisa ter grau de acidez até 0,8, um dos pontos mais observados para atestar a qualidade do produto, assim como ser beneficiado localmente para chegar fresco ao consumidor.

 

 

 

Matéria escrita pelo colunista Ricardo César Warken

Engenheiro Agrônomo

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